País é um dos líderes em desigualdade
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sábado, 31 de março de 2001
Carmem Murara De Curitiba 
O Brasil é um dos piores países em distribuição de renda no mundo, ficando atrás apenas de alguns países africanos. Os dados são do Banco Mundial e foram levantados também pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese). Pelo levantamento do Bird, os 10% mais ricos do País abocanham 48% de toda a renda nacional, enquanto que os 40% mais pobres dividem 8,2% dos rendimentos. Os dados do Dieese são similares e chegam quase ao mesmo percentual. A desigualdade é histórica e, por enquanto, não há sinais de que esteja ocorrendo uma reversão nos números.
Economistas e sociólogos que estudam o desenvolvimento econômico e social do Brasil são unânimes em afirmar que a distribuição de renda não sofrerá alteração de um dia para outro. Isso é um processo muito longo, que não muda antes de 20 anos, calcula o diretor-técnico do Dieese nacional, Sérgio Mendonça. Segundo Mendonça, o Brasil ocupava o segundo lugar no ranking dos países com pior distribuição de renda, perdendo apenas para a África do Sul, em 1990. A situação no Brasil não mudou. O que pode ter havido é países que pioraram e passaram à frente, diz o diretor do Dieese.
A curto prazo, os brasileiros terão de conviver com as grandes diferenças que fazem com que um executivo de uma multinacional ou um político receba salários superiores a R$ 20 mil, enquanto um trabalhador da construção civil ou uma empregada doméstica receba o salário mínimo de R$ 180,00 ou pouco mais do que isto.
Pela análise feita pelo Banco Mundial, a concentração de renda dos 10% mais ricos chega a ser, na média, 23 vezes maior do que a renda dos 40% mais pobres, mas nos extremos podem chegar a ser mais de 100 vezes superior. Em países desenvolvidos essa proporção fica entre 4,5 e oito vezes, no máximo. Na Austrália, por exemplo, os mais ricos ganham em média seis vezes mais do que os 40% mais pobres. O melhor índice está na Espanha com apenas 0,5%. Estados Unidos, Canadá, França, Espanha, Itália, Bélgica e Japão a diferença chega no máximo em sete vezes. As informações se baseiam em dados fornecidos entre 1992 e 96.
O Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP) divulgou uma recente análise que vincula a distribuição da renda do brasileiro com a produtividade. O IBQP entende que um melhor perfil da distribuição de renda na sociedade brasileira é uma alavanca poderosa para aumentar a produtividade e simultaneamente o emprego, diz o documento. Os setores que seriam atingidos com mais facilidade seriam construção civil, comércio, indústrias do vestuário, têxtil e mobiliário. Esses segmentos são mais sensíveis à mudança na distribuição de renda.
O Anuário dos Trabalhadores, uma publicação feita pelo Dieese, revela ainda que os salários cada vez se achatam mais. Em 1992, a remuneração dos brasileiros correspondia a 44% do Produto Interno Bruto. O índice caiu para 36%. Há um achatamento salarial na maioria das profissões, afirma o economista do Dieese, Cid Cordeiro. Em compensação, há um crescimento na produção o que leva a conclusão de que as pessoas estão trabalhando mais e ganhando menos.


