Todo início de ano a cena se repete: crianças precisando de material escolar novo e os pais, de muita paciência e dinheiro no bolso para bancar as inevitáveis listinhas – algumas entregues já no ato da rematrícula.
A dona de casa Angela Maria Galan, mãe de Guilherme, que está na sexta série, já tem ‘‘know-how’. ‘‘O melhor é pesquisar preços antes de comprar. Desde o final do ano estou pesquisando e a diferença é grande. Como exemplo, posso citar o preço de um fichário escolar, que variou de R$ 11,00 a R$ 20,00’’, afirma Angela. Guilherme estuda em uma escola estadual e por isso os livros são entregues pelo Estado (com exceção do de Inglês, que custa cerca de R$ 17). No ano passado, Angela gastou R$ 40 com material escolar, valor que passou para R$ 45 em 2002, ‘‘e ainda tem o uniforme, que deve ficar em torno de R$ 24’’, contabiliza a mãe.
A bancária Rosemeire Camillo, com dois filhos em escola particular, na primeira e quinta séries, foi rápida e antecipou as compras em dezembro. ‘‘A parte de papelaria já comprei e gastei R$ 80,00’’, conta. Mas ainda faltam os livros, que, segundo os seus cálculos, devem ficar em torno de R$ 350. ‘‘O valor é pesado e a gente acaba parcelando.’’
Acompanhada dos filhos Gustavo, aluno da pré-escola (particular), e Mariana, da segunda série (estadual), na hora de comprar os materias escolares, a vendedora Mara Lúcia Davanso leva com bom humor a empreitada. ‘‘Eles ficam empolgados com as compras e gostam de escolher’’, diz. ‘‘Normalmente, querem o mais caro. Tento sempre levar o que pedem, acho que é um tipo de estímulo para gostarem de estudar’’, afirma.
No ano passado, o total gasto com material escolar para os dois filhos foi de R$ 90. Já este ano, ficou em R$ 146 (incluindo a compra de última hora de uma mochila de R$ 36,00, do ursinho Pooh). ‘‘Não sei direito o que encareceu, acho que foram as compras de mais cadernos capa dura e lápis de cor’’, comenta.
Já a dona de casa Marta Alves Paulino, mãe de Lucas, aluno da terceira série, estava revoltada com a lista de material escolar do filho. Desempregada há um mês, Marta ainda não sabe como vai comprar os 24 itens. ‘‘Acho um absurdo, é muito material para uma criança tão pequena. A escola pediu 15 cadernos e até uma calculadora, coisa que a criança tinha que aprender a fazer de cabeça’’, pensa. Moradora de Cambé, Marta disse que em Londrina, de modo geral, os materiais estão mais baratos e que vai conversar com a diretora da escola. ‘‘Não posso comprar tudo o que eles pedem’’.

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