Nem só de brinquedos é feito o Dia das Crianças. Roupas, calçados e outros presentes considerados ''mais úteis'' pelos adultos vendem bem nesta data. É o sinal da recessão econômica onde a prioridade se sobrepõe ao desejo. ''Com menos de R$ 10,00 você compra uma camiseta legal. É muito mais difícil encontrar brinquedos bacanas por esse preço'', avalia o diretor do Comitê Infanto-Juvenil e Bebês da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), Sérgio Henriques Fernandes.
A Casas Pernambucanas de Londrina espera aumentar em até 30% o volume de vendas no setor infantil comparado ao mesmo período do ano passado. Para garantir esse resultado, a loja conta com o interesse da criançada na decoração baseada em personagens infantis, piscina de bolinhas, algodão doce, video-games e sessões de cinema oferecidos aos clientes desde o início do mês. A administração das Lojas Riachuelo também está otimista. De acordo com o gerente Carlos Roberto de Júlio, o setor de confecções infantis deve contribuir com 25% do faturamento este mês. ''Muitos pais estão aproveitando para comprar roupas de verão'', completou o gerente que hoje e amanhã terá o apoio de um palhaço para estimular as vendas.
Segundo a Abit, o setor de confecções infanto-juvenil e bebê tem crescido 12% ao ano e faturado cerca de R$ 800 milhões. ''Somos um setor muito dinâmico que, apesar da crise, vai crescer este ano. Prova disso é que as grifes famosas de adulto estão lançando linhas para esse público'', disse Fernandes.
De qualquer forma, as lojas de brinquedos não têm do que reclamar. Na PB Kids, por exemplo, o movimento aumenta dia-a-dia desde quarta-feira e quatro novos funcionários foram contratados para atender o público até domingo. Segundo a gerente Vera Lúcia Martins, o faturamento deste mês deve crescer 20% em relação a outubro de 2002. ''Os pais estão pesquisando muito e pechinchando o quanto podem. Mesmo assim, estão gastando cerca de R$ 100,00 em cada presente'', explicou a gerente.
A dona de casa Rosangela Maria Isonaga agradece a compreensão das filhas que não fazem questão de presente. Por outro lado, a mais velha fica deslumbrada com as roupas da ginástica rítmica e acessórios para o computador. ''Talvez seja reflexo dos quatro anos que ela viveu no Japão'', disse a mãe que ontem presenteou as meninas com um patinete e um rooler.

mockup