País deve se preparar para Alca, diz FHC
PUBLICAÇÃO
domingo, 22 de abril de 2001
Agência Estado De Quebec 
Agora começa o trabalho mais difícil da negociação da Alca, a Área de Livre Comércio das Américas, e o Brasil precisa preparar-se, disse anteontem à noite o presidente Fernando Henrique Cardoso. É preciso ver como o acordo comercial afetará cada setor, quem vai ganhar, quem vai perder o que fazer com os que perderão. Essa tarefa, continuou, não deve ser só do governo, mas deve envolver o setor privado e toda a sociedade. Entidades empresariais e o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico já têm feito levantamentos que deverão servir para orientar os negociadores.
Essa preparação é uma tarefa interna, que se deve realizar em qualquer país que se envolva em negociações comerciais. Outra coisa é a definição, perante os parceiros, das condições que tornarão a Alca atraente para o Brasil. Fernando Henrique expôs as condições que incluem a revisão da política antidumping e do protecionismo agrícola dos Estados Unidos ao discursar na abertura da 3ª Cúpula das Américas, na sexta-feira à noite. Preferi por essas questões na mesa desde o primeiro dia, explicou.
Havia a impressão de que o Brasil vinha causando obstálculos à Alca, de maneira unilateral, e aqui em Quebec ficou claro que não. O presidente disse ter recebido manifestações de apoio de vários outros chefes de governo pela maneira como apresentou o assunto. Quanto ao presidente George W. Bush, acrescentou Fernando Henrique, encaixou bem as opiniões apresentadas em seu discurso.
O problema, disse o presidente, não é ser contra a Alca ou favor da Alca, mas estar preparado para avaliar se atende aos interesses do País: É preciso ver que vantagem Maria leva. Não tem sentido, segundo ele, sustentar posições, como as que se notam no Brasil, de gente que é a favor do Mercosul e a favor de acordo com a União Européia, mas contra a Alca por motivos ideológicos.
Para avaliar as condições de inserção internacional, disse o presidente, é preciso levar em conta não produtos finais ou bens isolados, mas cadeias produtivas, cada vez mais complexas.
Perguntou-se a Fernando Henrique se o governo brasileiro preferiria à Alca um acordo bilateral com os Estados Unidos. Só aceitaria como alternativa, respondeu, um acordo quatro mais um, isto é, Mercosul com Estados Unidos.
A Argentina vai sediar a 4ª cúpula das Américas. A data da reunião não foi precisada.


