O Brasil viveu fases distintas no comércio exterior de 1980 a 1996. Foi incentivado por uma política cambial agressiva na primeira metade dos anos 80; de 1984 a 1990 pegou carona no crescimento do comércio mundial e, mais recentemente, de 1990 a 1996, as exportações de produtos industrializados tiveram boa performance.
No momento em que tanto se fala da necessidade de aumentar as exportações, um interessante estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que o desempenho das exportações brasileiras esteve fortemente condicionado à existência de vantagens comparativas. E, se o objetivo é garantir mais espaço no competitivo mercado mundial, o estudo sugere a necessidade de dirigir-se para setores e mercados mais dinâmicos.
‘‘O trabalho mostra que vivemos momentos de altos e baixos, mas, na média, conseguimos garantir boa vantagem comparativa’’, explica a economista Maria Helena Horta, da diretoria de estudos macroeconômicos do Ipea. Ela acaba de concluir o trabalho ‘‘A inserção das exportações brasileiras: Análise setorial no período 1980/1996’’ com outro economista, também da área de estudos macroeconômicos do Ipea, Carlos Frederico Braz de Souza.
A pesquisa terminou em 1996 por causa da base de dados disponível para comparação. O estudo analisa os motivos que levaram aos bons momentos de nossas vendas no comércio internacional e também algumas das razões da fragilidade de nossa pauta de exportações. Dos 16 setores de produtos industrializados analisados pelos dois economistas do início da década de 80 até 96, o Brasil apresentou vantagem comparativa em cerca de metade dos setores. O problema é que isso aconteceu justamente nos segmentos intensivos em recursos naturais e trabalho.
Não é difícil entender o raciocínio. Como se fosse uma via de mão dupla, enquanto as exportações brasileiras cresciam em uma direção com produtos como papel e celulose, têxteis, alimentos e siderúrgicos, o comércio mundial explodia justamente na mão contrária, ou seja, em produtos de alta tecnologia. ‘‘Esse foi um dilema verificado nos últimos anos, porque não conseguíamos exportar muito em tecnologia e o mercado internacional não se expandia onde tínhamos vantagem comparativa’’, explica Carlos Frederico Braz de Souza.
Assim, o setor de eletroeletrônicos saltou de uma média de 13,4% na composição da pauta do comércio mundial de produtos industrializados de 1980 a 1984 para 20,8% de 1990 a 1996. Enquanto isso, o Brasil perdeu espaço nesse setor, que representou, na média de 1980 a 1984, 6,6% das exportações brasileiras de produtos industrializados, caindo para 5,7% na média de 1990 a 1994.
Em papel e celulose houve crescimento de 4,3% na composição da nossa pauta de 1980 a 1984 (na média) para 5,9% na média de 1990 a 1996. Mas, na composição da pauta do comércio mundial de produtos industrializados, no mesmo período a participação de papel e celulose se manteve constante, em 3,3%, de 1980 a 1996.
Como resolver, então, esse dilema? ‘‘Precisamos descobrir nichos, mercados que possam ser melhor explorados’’, diz Maria Helena Horta. Foi isso o que aconteceu, por exemplo, quando os exportadores de produtos siderúrgicos passaram a procurar mais os mercados asiáticos, incluindo o Japão e os Tigres Asiáticos, como a Coréia. E há também o caso de sucesso das exportações de aviões ao Primeiro Mundo.
Em 1980, as exportações do Brasil (produtos básicos e industrializados) respondiam por 1,3% das importações mundiais (sem contar o petróleo). Essa participação cresceu para 1,7% em 1984, mas se reduziu para 1,1% em 1990 e para 1% em 1996.

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