As mudanças na política cambial não devem provocar aumento nas importações de soja este ano, apesar de as exportações do grão serem um negócio atrativo com a desvalorização do real frente ao dólar. Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias de Óleo Vegetal (Abiove), o Brasil deve manter em 400 mil toneladas o volume de soja em grão a ser importado em 99.
Para o presidente da Cooperativa Agropecuária de Rolândia (Corol), Eliseu de Paula, a indústria já começa a sinalizar preços do mercado interno balizados pelas cotações da Bolsa de Chicago. ‘‘Se não houver paridade, a indústria não conseguirá se abastecer’’, comentou Eliseu.
O dirigente acredita que como os preços no mercado externo são bons por causa da desvalorização da moeda brasileira, pode acontecer de algumas indústrias e cooperativas vender para o mercado externo, aproveitando os bons preços, e depois importar com preços menores.
O gerente Comercial e Industrial da Cocamar, de Maringá, Celso Carlos dos Santos Júnior acha possível que boa parte da soja em grão e seus derivados sejam enviados para o mercado externo. ‘‘O mercado interno deverá ficar com a quantidade exata para suas necessidades’’, comentou.
Segundo Santos Júnior a previsão é de que a saca de soja na entrada da safra esteja cotada entre US$ 8,50 e US$ 9,50. Ele observou que no ano passado, neste mesmo período, a saca era cotada a US$ 13,00. ‘‘Apesar de o preço em dólar estar menor, a rentabilidade do produtor possivelmente será maior em reais’’, comentou.
Mas o gerente da Cocamar acredita que os preços dos derivados da soja não terão reajustes na mesma proporção que o câmbio. ‘‘O óleo, por exemplo, tem na sua composição de custos componentes diferentes do farelo’’, observou. Santos Júnior afirmou no entanto, que os preços no mercado interno serão aumentados acompanhando as alterações do câmbio. ‘‘Mas ainda é cedo para fazer qualquer previsão de como o real ficará frente ao dólar ou de quanto será a inflação’’, disse.
O diretor comercial da Coamo, de Campo Mourão, Roberto Petrauskas, também acredita que o volume de exportações crescerá neste momento para aproveitar a desvalorização do real. ‘‘O que tiver de ser exportado em grão será exportado, e o que for industrializado no País, boa parte também será enviada para o exterior’’, disse.
Petrauskas observou que com uma produção estimada em 34 milhões de toneladas de soja em grão, a indústria brasileira não terá problemas de abastecimento.
‘‘A necessidade de importações de soja vai depender do comportamento do consumo interno de óleo de soja e de farelo. E isso poderá ter alguma influência apenas no segundo semestre, quando estaremos na entressafra’’, observou. Ele não revelou o volume de soja que a Coamo deve processar este ano.

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