País deve importar US$ 1 bilhão em semicondutores
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domingo, 14 de dezembro de 2003
Agência Estado 
São Paulo - O País deve despender US$ 1,667 bilhão este ano com a importação de semicondutores, coração e cérebro de qualquer equipamento eletrônico. Se forem consideradas as compras de componentes, de um modo mais amplo, a conta é maior ainda: US$ 5,487 bilhões em importação e um déficit de US$ 3,698 bilhões, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee).
Para atrair empresas internacionais, o governo brasileiro poderá ser obrigado a investir diretamente numa fábrica de semicondutores. Esta necessidade, identificada pela indústria, já foi admitida pelo próprio Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
''Muito provavelmente, uma agência de fomento terá que participar'', afirma o vice-presidente executivo da Abinee, Sérgio Galdieri. Na década passada, o governo brasileiro não soube se articular e o País acabou perdendo para a Costa Rica uma fábrica da Intel, maior fabricante mundial de semicondutores.
Fábricas de microprocessadores, como a da Intel, exige investimentos de bilhões de dólares e precisam de uma estrutura logística e alfandegária bem azeitada, pois a escala de produção é sempre mundial. O setor de semicondutores é principalmente exportador.
''O mercado internacional exige prazos curtos'', conta Claus Ebert, presidente da Semikron, uma das três empresas de semicondutores do País. ''Entregamos nossos produtos em uma semana, em qualquer lugar do mundo.'' Criada por alemães há 40 anos, fatura cerca de 20 milhões por ano, sendo 60% de exportações.
Mão-de-obra - A Índia tornou-se um gigante do mercado mundial de software vendendo mão-de-obra, no lugar de produtos completos. Existe um consenso na indústria, reconhecido pelo próprio governo, de que esta é a principal janela de oportunidade para o Brasil aumentar suas exportações no curto prazo.
O Brasil exporta cerca de US$ 100 milhões em software por ano. O pagamento de royalties para o exterior é 10 vezes maior, batendo a casa de US$ 1 bilhão. Para mudar este cenário, a indústria brasileira, que sempre foi especializada mais em produtos, está se adaptando para competir pelo mesmo mercado que os indianos.


