Se for confirmado o aumento da produção agrícola previsto pela Conab para a safra 98/99, que deverá evoluir de 78 milhões de toneladas este ano, para 83,8 milhões de t, as importações de alimentos deverão cair 50%, em média, no ano que vem. Outra consequência do aumento da safra é a ligeira redução no custo da cesta básica, de R$ 121,21 para R$ 116,00, que deverá beneficiar as famílias com renda até três salários mínimos. Em compensação, as exportações brasileiras para os países asiáticos e Rússia estão sendo reduzidas em consequência da crise financeira nesses países, que persiste há um ano.
A informação é do presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Eugênio Stefanello, que esteve ontem, em Curitiba . Ele falou sobre a previsão de aumento da produção agrícola para a safra 98/99 e o impacto das crises da Ásia e da Rússia sobre a economia do Brasil. O presidente da Conab condenou o protecionismo dos países da União Européia e do bloco do Nafta (Estados Unidos na liderança), que usam a crise dos países emergentes para ‘‘exigirem a abertura total da economia desses países, via FMI, agravando ainda mais a crise financeira em que se encontram.’
Cereais Com exceção do trigo, cuja importação deverá se manter em 6,4 milhões de t em 99, praticamente o mesmo volume que está sendo importado este ano, as importações de milho, arroz, feijão e algodão deverão registrar queda. A previsão é de queda de 67% na importação de milho, 45% na importação de arroz, 43,7% na importação de feijão e 18,7% na importação de algodão.
Conforme levantamento da Conab, as importações de algodão caem de 400 mil t esse ano, para 325 mil t em 99. A importação de arroz poderá ser reduzida pela metade, caindo de 2 milhões de t para 1, milhão de t. A importação de feijão deverá cair de 160 mil t esse ano, para 90 mil t em 99. E as importações de milho deverão cair de 1,5 milhão de t para 500 mil t no ano que vem.
Exportações Em relação às exportações para a Ásia, que registraram crescimento de 26,7% entre 1993 e 1997, a queda esperada para este ano é de 13,9%. ‘‘A mais drástica ocorrida até agora’’, destacou Stefanello. As exportações da Europa Ocidental, incluindo a Rússia, que aumentaram 27,2% no período avaliado, caíram para 2,8% este ano, registrando ainda um movimento positivo. As exportações para os países do Oriente Médio evoluiram de 8,7% para 10,5%, este ano. E nos países do Mercosul, as exportações cresceram de 15,5% no período 93-97 para 17,3%, este ano.
O mais intrigante, segundo Stefanello, é a queda nas importações de produtos brasileiros pelos países do Nafta (EUA, Canadá e México). Elas já vinham em queda de 0,4% no período avaliado e caíram para 7,4% este ano. ‘‘ Como entender esse comportamento, se não um claro protecionismo, porque nestes países não há crise que justifique esse corte nas importações’’, reagiu indignado.
Crédito RuralEm relação ao desempenho da safra 98/99, Stefanello disse que se não ocorresse a falta de recursos do crédito agrícola para médios e grandes produtores de soja e milho, a área plantada no país teria uma expansão de 5% a 10%, e a produção de grãos saltaria de uma expectativa de 83,8 milhões de toneladas para 90 milhões de toneladas.
Para elevar a disponibilidade de recursos para o crédito agrícola ainda nesta safra, o governo aprovou a possibilidade de os bancos se manterem sobreaplicados em crédito durante seis meses, para compensar com uma aplicação menor dos recursos das exigibilidades no período seguinte. Com essa medida, poderá haver uma disponibilidade imediata de R$ 200 milhões para médios e grandes produtores. Outros R$ 1 bilhão poderão ser captados com a aprovação do aumento das exigibilidades de 25% para 30%, sobre os depósitos à vista.
O presidente da Conab constatou que a dependência dos produtores do crédito de custeio é de apenas 25%, este ano. Segundo Stefanello, essa dependência já chegou a 50% na década de 70. Com a retração no crédito oficial, o financiamento bancário está sendo substituído por novos instrumentos como o aumento da participação das cooperativas no financiamento aos cooperados, as vendas antecipadas de safra, novas linhas de crédito como ACC (Antecipação de Contrato de Câmbio) e ACE (Antecipação de Contrato de Exportação), ‘‘ 63 caipira’’ e CPRs (Cédula do Produtor Rural).

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