Vânia Casado
De Curitiba
O Brasil começa a reduzir seus gastos com a importação de trigo já na safra 1999/2000. Segundo levantamento da Conab, o país desembolsou US$ 804,65 milhões com a importação de 6,7 milhões de t, ao preço médio de US$ 119,17/t. Esse cálculo refere-se à importação ocorrida no ano agrícola 98/99. Para a nova safra, a previsão é reduzir a importação para 6,5 milhões de t, antecipou o analista da Conab, Paulo Coutinho.
Ele lembrou que essa estimativa ainda pode ser alterada em função da redução na importação de farinha de trigo, operação inviabilizada economicamente após a desvalorização cambial, e o aumento da importação do grão. Por enquanto a previsão é importar 300 mil t de farinha, volume inferior a importação feita no ano passado, que atingiu 319 mil t. O auge da importação ocorreu durante a safra 97/98, quando o país importou 537 mil t de farinha de trigo.
A previsão de redução das importações de trigo é reflexo do aumento da produção nacional previsto para a safra 99/2000, que poderá ficar 8,7% maior em relação a atual safra com um volume estimado em 2,32 milhões de t. Na safra 98/99, a produção nacional foi de 2,18 milhões de t, sendo que o Paraná contribuiu com uma produção de 1,45 milhão de t, o que implica numa perda de aproximadamente 6% sobre a estimativa inicial, em função das geadas ocorridas em agosto.
Paulo Coutinho, da Conab, não acredita em euforia do produtor para plantar a próxima safra de trigo porque o mercado não remunerou o trigo conforme as suas expectativas. ‘‘Infelizmente essa situação deverá refetir no quadro de produção da safra 99/2000’’, avisou.
O mercado não remunerou mais o trigo, em função das dificuldades dos moinhos de pequeno e médio porte que estão sem capital de giro para manter posições, na opinião de Coutinho. Os moinhos estão esperando a entrada da próxima safra argentina para o início de dezembro, que está sinalizando cotações entre US$ 102 e US$ 103/t, o que pode pressionar ainda mais as cotações no mercado interno.

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