País deve avançar no mercado de orgânicos, diz ONU
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sexta-feira, 31 de outubro de 2003
Jamil Chade<br> Agência Estado 
Genebra Relatório publicado ontem pela Organização das Nações Unidas (ONU) aponta que países tropicais, como o Brasil, devem se preparar para tirar vantagem do mercado mundial de produtos orgânicos, que cresce de forma significativa a cada ano. Segundo o estudo, elaborado pela Conferência da ONU para o Desenvolvimento e o Comércio (Unctad), o comércio de bens agrícolas orgânicos deve crescer entre 10% e 30% por ano até o final da década.
A taxa é bastante superior ao crescimento médio das exportações agrícolas tradicionais e a ONU sugere que o setor pode criar uma importante renda para produtores que estiverem preparados para competir nesse novo nicho. Segundo o estudo, o preço de um produto orgânico no mercado internacional, entre eles café, cacau e frutas tropicais, pode ser entre 10% e 50% mais alto que o seu equivalente não-orgânico, fator que pode ser um atrativo a mais para os produtores.
Em 2000, as exportações de bens orgânicos, que se caracterizam por não usarem agrotóxicos e respeitarem o meio ambiente, movimentavam cerca de US$ 20 bilhões e quase metade desse comércio era feito com a Europa. O mercado americano representa 37% desse total, seguido pelo japonês, com pouco mais de 5% do comércio mundial. Mas é o mercado americano que mais cresce hoje no mundo. Desde 2000, a taxa anual de crescimento do setor nos Estados Unidos é de 24%, e o país já conta com 12 mil lojas de produtos naturais.
A demanda é tão grande que alguns produtores mexicanos, que contam com benefícios de poder exportar aos Estados Unidos com preferências tarifárias por causa do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), já transformaram suas fazendas em orgânicas.
Na Europa, a demanda da população por esse tipo de alimento obrigou as empresas multinacionais a desenvolverem produtos orgânicos. A suíça Nestlé, por exemplo, criou uma polpa de frutas para alimentos que respeita os critérios orgânicos. O supermercado francês Carrefour também criou sua marca orgânica e outras empresas estão descobrindo que os consumidores europeus estão dispostos a pagar mais caro por um produto de melhor qualidade. É também na Europa que está a maioria dos 17 milhões de hectares de terras cultivadas de forma orgânica no mundo.


