País deve atrair mais de US$ 20 bi anuais
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quinta-feira, 14 de março de 2002
Agência Estado 
Londres O Brasil deverá atrair uma média anual de US$ 24,2 bilhões em investimentos diretos estrangeiros (IDE) entre 2002 e 2006. Com isso, o País será o décimo maior recipiente mundial de IDE e o maior da América Latina nesse período. A estimativa consta do estudo Perspectivas para o investimento mundial 2002: o próximo boom do IDE, elaborado pela consultoria britânica Economist Intelligence Unit (EIU) e divulgado ontem na capital britânica.
Segundo a EIU, o Brasil vai atrair US$ 22 bilhões em investimentos diretos neste ano e US$ 24 bilhões em 2003. A principal atração do Brasil vai continuar a ser o tamanho de seu mercado doméstico, disse a consultoria.
Com o aprofundamento da integração regional, um crescente número de empresas estrangeiras também deverá usar o País como base de abastecimento para outros países sul-americanos.
Segundo a EIU, a maior parte dos fluxos de IDE para essas indústrias exportadoras será destinada para setores como aço, papel e celulose. Os abundantes recursos naturais dão ao Brasil uma vantagem competitiva nesses setores.
Pontos fracos A EIU observou, no entanto, que em outras áreas, nas quais as vantagens são menos óbvias como no setor de bens de capital os fluxos de IDE serão contidos pelo Custo Brasil, composto pela alta tributação, o elevado custo do capital,a burocracia, as deficiências em infra-estrutura e pouco investimento em recursos humanos.
A EIU observou que o País tem um grande potencial como produtor de alimentos, mas a sua capacidade de expandir as suas exportações agrícolas vai depender dos resultados da rodada multilateral do comércio, que poderá derrubar as barreiras protecionistas nos países ricos.
O estudo observa que a maior parte do processo de privatização já foi completado. Algumas grandes vendas no setor de energia ainda estão pendentes mas poderão ser deixadas para o governo, que tomará posse em janeiro de 2003. A EIU alertou que o setor energético precisa de grandes investimentos para evitar novas crises no abastecimento de energia.
Apesar do progresso obtido com as reformas de liberalização e de estrutura fiscal, as grandes necessidades de financiamento externo do País o deixam vulnerável aos choques externos, o que ficou demonstrado pela volatilidade dos mercados financeiros em 2001, disse a consultoria.
Enquanto essa vulnerabilidade persistir, ela atuará como um freio potencial para as empresas que avaliam a possibilidade de investir no Brasil.


