O Brasil vai deixar de exportar US$ 300 milhões neste ano, caso seja mantido o embargo imposto por vários países à carne brasileira. O número foi apresentado ontem pelo ministro Pratini de Moraes, da Agricultura, ao presidente FHC.
Ontem, FHC se reuniu com o ministro e com governadores de cinco Estados para discutir o problema da febre aftosa e seu impacto nas exportações de carne. Rússia e Inglaterra já suspenderam a importação de carne brasileira por causa da doença. Os países da União Européia, Chile e Cingapura interromperam a compra de produtos de origem gaúcha.
A meta do Ministério da Agricultura era exportar US$ 2,5 bilhões de carne (entre de frango, bovina e suína). Pratini admitiu que o cumprimento dessa meta foi comprometido com o embargo causado pela febre aftosa. Nos quatro primeiros meses deste ano, as exportações de carnes brasileiras somaram US$ 740 milhões.
Na reunião, o governo gaúcho se comprometeu a sacrificar todos os animais contaminados. Além disso, foi marcada para sábado, em Curitiba, uma reunião entre técnicos dos governos de São Paulo, Paraná e Santa Catarina para discutir as barreiras impostas pelos três Estados à carne gaúcha, o que prejudica a venda do produto para outras regiões do país.
O governador Olívio Dutra (PT-RS) disse ainda que pediu para FHC dar mais tempo para que os criadores gaúchos paguem suas dívidas com o governo para compensar as perdas causadas pela doença. ‘‘O presidente da República e o ministro da Agricultura se mostraram favoráveis (à proposta)’’, afirmou. Pratini desconversou: ‘‘Eu sou favorável, mas essa conta não é minha, é de um amigo meu (o ministro da Fazenda, Pedro Malan)’’.
Nas últimas duas semanas foram encontrados cinco focos de febre aftosa no Rio Grande do Sul. A doença deu início a uma disputa entre Pratini (filiado ao PPB gaúcho), que pretende se candidatar ao governo do Estado, e Dutra.
O governo do Estado defendia o início da vacinação dos animais contra a doença antes mesmo que os focos de contaminação fossem identificados. Pratini era contra, pois a vacinação poderia reduzir o valor da carne brasileira no mercado internacional.
Agora, a discussão é sobre o abate dos animais contaminados, procedimento adotado para evitar que a doença se espalhe. Dutra queria sacrificar apenas os animais já contaminados, enquanto Pratini defendia a necessidade de abater também os animais que, embora não apresentassem sintomas da febre aftosa, tivessem contato com animais doentes.
Pratini viajou ontem para a Europa, onde vai se encontrar com representantes de vários países da União Européia e tentará convencê-los a voltar atrás no embargo à carne brasileira.

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