País deixa de exportar US$ 3 bi aos EUA
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quinta-feira, 09 de outubro de 1997
Agência Estado Rio de Janeiro 
As exportações brasileiras para os Estados Unidos poderiam crescer cerca de US$ 3 bilhões por ano, com a retirada das barreiras tarifárias e não tarifárias impostas pelos norte-americanos. Esta é a estimativa do presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), Marcus Vinícius Pratini de Moraes. Ele apresentou ontem um estudo da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), que revela forte restrição a 11 produtos brasileiros no mercado dos EUA. A lista inclui suco de laranja, calçados e açúcar.
O documento, encomendado pelo Ministério da Indústria, Comércio e Turismo (MICT), mostra que as barreiras impostas pelos EUA são responsáveis pela maior parte do déficit comercial apresentado hoje na balança do Brasil com o mercado norte-americano. O saldo do comércio entre os dois países, no acumulado de janeiro a agosto, já está negativo em US$ 3 bilhões. A expectativa é de que feche o ano com déficit de US$ 5 bilhões, quase a metade do total da balança comercial do Brasil, que deve ficar entre US$ 10 bilhões e US$ 12 bilhões em 97, acrescentou.
Pratini destacou ainda que nos últimos dez anos as exportações brasileiras aos EUA cresceram 24%, enquanto as importações aumentaram quase 400%. Em 87 o Brasil exportou US$ 7,192 bilhões e importou US$ 3,143 bilhões. Estes números em 96 subiram para US$ 9,183 bilhões e US$ 11,683 bilhões, respectivamente. Até agosto deste ano as exportações do País para o mercado norteamericano totalizaram US$ 6,294 bilhões e as importações, US$ 9,298 bilhões.
O presidente da AEB não vê possibilidade de ser apresentada uma proposta para a melhoria do comércio bilateral entre o Brasil e os Estados Unidos durante a visita do presidente Bill Clinton ao País. Os problemas das barreiras econômicas não devem ser tratados nessa reunião, que tem um caráter político, disse. A ocasião, no entanto, será oportuna para a discussão conceitual do relacionamento entre os dois países, abrindo espaço para a busca de uma solução para os problemas atuais.
Alca Os empresários brasileiros têm posição semelhante à do governo brasileiro no que diz respeito à antecipação da implantação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), segundo Pratini. Eles condicionam o adiantamento do processo, defendido pelo governo norteamericano, a uma abertura comercial dos Estados Unidos.
O presidente da AEB explicou que o Brasil já fez toda a abertura que poderia fazer e que, agora, precisa de uma contrapartida. Sem esta contrapartida não há como discutir a antecipação da Alca ou uma nova rodada de quedas nas tarifas e restrições no mercado brasileiro, como querem os Estados Unidos.
Sobre o chamado fast-track, que permite ao governo norte-americano negociar diretamente com os parceiros comerciais, sem necessidade de prévia aprovação do seu Congresso, Pratini disse que este modelo só beneficiará o Brasil se permitir que as barreiras tarifárias e as não tarifárias sejam retiradas. Se as restrições não-tarifárias não puderem ser negociadas também, o fast-track será inócuo para o Brasil, destacou.


