O governo argentina dá claros sinais de que pretende transformar em pesos todos os depósitos do sistema financeiro que estão em dólares, quebrando a promessa do presidente Eduardo Duhalde de devolver os depósitos na moeda em que foram feitos. O primeiro sinal dado foi a decisão de entregar em pesos os saques das contas em dólares, anteriormente permitidos em até US$ 500 mensais.
A idéia foi reforçada com o anúncio das novas medidas de flexibilização do ‘‘corralito’’, que aumentou de $ 3.000 para $ 5.000 mil pesos o teto para pesificar os depósitos feitos em contas poupança em dólares. Anunciada na noite de quinta-feira, a flexibilização dará maior disponibilidade a 78% dos depositantes que aceitarem converter os dólares depositados em pesos pelo câmbio oficial de 1,40. Com isso, poderão utilizar os fundos para transações através dos bancos, por meio de cheques, transferências e cartões de crédito, sem tirar o dinheiro do sistema.
No ministério de Economia a informação é de que as medidas buscam incrementar a circulação de pesos no sistema financeiro. A pesificação total da economia é a medida mais alentada do ministro da Economia, Jorge Remes Lenicov, e ainda não está descartada. A pressão popular com as ameaças dos panelaços levou o presidente Duhalde a adiar a medida.
As medidas permitirão que os depósitos em dólares que forem pesificados sejam transferidos para contas poupança ou corrente. Não haverá limites para movimentar este dinheiro, desde que tenha um destino específico, como o pagamento de salários, impostos, faturas de cartão de crédito. O governo pensava em proibir a compra de dólares com cheque mas abandonou a idéia e decidiu apenas tornar mais rígida a identificação do comprador.

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