País criou 1,03 milhão de empregos
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 16 de julho de 2004
Jander Ramon<br> Agência Estado 
São Paulo - O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho registrou o saldo líquido de 207,9 mil empregos formais criados em junho deste ano, alta de 0,86% em relação ao mês anterior. Entre janeiro e junho deste ano foram criados 1,03 milhão de empregos, informou ontem o ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, em entrevista coletiva, em São Paulo. A expansão mensal e a semestral são recordes da série histórica do Caged, iniciada em 1992.
''O processo de recuperação do emprego foi puxado pelo agronegócio e pelas exportações, mas houve uma mudança de comportamento já no setor de varejo, no consumo de não-duráveis e semiduráveis, ou seja, os produtos mais suscetíveis à renda do trabalhador'', observou Berzoini, que revisou a previsão para a geração de empregos formais, para o total do ano, de 1,3 milhão para 1,8 milhão.
O ministro recusou a avaliação de que a melhora do ambiente econômico poderá levar mais pessoas a procurar trabalho, o que poderia provocar aumento no índice de desemprego. Para ele, além de ser capaz de conter a alta da população economicamente ativa, a economia reduzirá o número de desempregados.
''Prefiro aguardar a divulgação das pesquisas do IBGE e do Seade-Dieese na próxima semana, mas estou otimista de que o quadro já é de recuperação do mercado de trabalho, ao ponto de nós termos redução do desemprego, porque a população economicamente ativa cresceu bastante de janeiro até abril, e, a partir de maio, houve uma convergência entre os dados da geração de emprego com o crescimento da população economicamente ativa.''
Berzoini lembrou que os dados do Caged não necessariamente coincidem com as pesquisas de emprego porque o sistema do Ministério identifica o volume de contratações e demissões num determinado período, enquanto as pesquisas revelam o volume de pessoas que procuram trabalho, além de tratar do conjunto dos mercados formal e informal.
Reforma - O ministro assegurou que não pretende conduzir pessoalmente a reforma trabalhista, a ser discutida no próximo ano, ''com foco no custo do trabalho''. ''O presidente Lula determinou que fosse construído um consenso com empresários e trabalhadores, no sentido de modernizar a aplicação das leis trabalhistas, para facilitar e desburocratizar'', explicou. ''Isso não significa, em hipótese nenhuma, a precarização ou redução do custo do trabalho.''
Segundo o ministro, os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) revelam que o custo do trabalho no Brasil não pode ser considerado fator para restrição do crescimento econômico. ''Com o nosso câmbio no patamar atual, o custo de trabalho no Brasil é competitivo, tanto em indústrias como no setor agrícola'', afirmou. O ministro enfatizou que o governo pretende também avançar no combate à informalidade.


