País crescerá com as exportações, diz BC
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sábado, 03 de abril de 1999
Soraya de Alencar Agência Estado 
Depois das turbulências causadas pela crise da Rússia que levaram o País ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e culminaram com a desvalorização cambial e a adoção do câmbio flutuante, o diretor de Assuntos Econômicos do Banco Central, Sérgio Werlang, começa a ver uma luz no fim do túnel. Ele acredita que, dentro de condições fiscais equilibradas, será do setor exportador o papel mais importante na retomada do crescimento econômico. O momento, no entanto, ainda é de ajuste e requer cuidados. É preciso que haja calma, afirmou Werlang.
Ele ressaltou que, somente agora, depois da inquietação de oscilações bruscas no câmbio, as pessoas, principalmente os exportadores, estão convivendo melhor com o câmbio flutuante. O diretor acredita que, com o crescimento das exportações e, se forem mantidas as condições de ajuste fiscal, cada vez mais teremos calmaria.
Todo este cenário, no entanto, é previsto para o segundo semestre, mesma época em que o Banco Central deverá adotar o sistema de metas para o controle da inflação. Segundo Werlang, na troca do sistema de metas monetárias - adotado provisoriamente - para o de metas de inflação, o governo terá mais condições de acelerar a queda dos juros. Não tenho dúvidas taxas serão reduzidas, afirmou.
Três pontos foram relatados pelo diretor como fundamentais para o País começar a enxergar a luz no fim do túnel. O primeiro deles foram as medidas do ajuste fiscal. Tudo que o Brasil deveria ter feito antes e não fez, agora está fazendo, destacou sem esquecer o apoio do Congresso Nacional. Para ele, o País perdeu a chance do equilíbrio fiscal ao não cumprir as medidas do pacote 51 criado depois da crise da Ásia, em outubro de 97, e deixado de lado. Ali foi a origem de tudo, considerou.
Os outros dois pontos foram o acordo com o FMI e o compromisso dos bancos internacionais de manterem suas linhas de crédito comercial ao País. São condições suficientes para financiarmos o balanço de pagamentos, destacou. Ele lembrou que, imediatamente depois da crise da Rússia, o Brasil entrou numa rota de aumento do déficit em transações correntes enquanto o País crescia menos. Com isso, argumentou, acabou chegando a uma situação de inconsistência e perda das reservas internacionais. O mundo estava sacando dinheiro do Brasil, considerou.
A opção pelo câmbio flutuante foi a mais acertada. Segundo ele, o Banco Central errou ao tentar continuar com o sistema de bandas. Mas não insistiu no erro, disse. A política econômica atual, garantiu, é coerente e por isso ganhou o apoio maciço dos bancos internacionais.
O trabalho agora será o de brigar para que o ambiente interno continue o mais estável possível. Por isso o sistema de metas para controlar a escalada inflacionária e permitir que as pessoas possam continuar vivendo sem inflação num horizonte longo.
Nem a CPI do sistema financeiro que está sendo pedida pelo PMDB, na avaliação de Werlang, poderá promover estragos nesta perspectiva para o País. A CPI não é motivo de preocupação e não teria implicações que pudessem levar a uma mudança na condução da atual política econômica, disse o diretor. Na mesma medida, ele descarta o efeito Armínio Fraga. Para ele, a luz que se enxerga é devida ao programa coerente do governo. Não é uma questão de peso de uma pessoa, disse.


