Depois das turbulências causadas pela crise da Rússia que levaram o País ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e culminaram com a desvalorização cambial e a adoção do câmbio flutuante, o diretor de Assuntos Econômicos do Banco Central, Sérgio Werlang, começa a ver uma luz no fim do túnel. Ele acredita que, dentro de condições fiscais equilibradas, será do setor exportador o papel mais importante na retomada do crescimento econômico. O momento, no entanto, ainda é de ajuste e requer cuidados. ‘‘É preciso que haja calma’’, afirmou Werlang.
Ele ressaltou que, somente agora, depois da inquietação de oscilações bruscas no câmbio, as pessoas, principalmente os exportadores, ‘‘estão convivendo melhor com o câmbio flutuante’’. O diretor acredita que, com o crescimento das exportações e, se forem mantidas as condições de ajuste fiscal, ‘‘cada vez mais teremos calmaria’’.
Todo este cenário, no entanto, é previsto para o segundo semestre, mesma época em que o Banco Central deverá adotar o sistema de metas para o controle da inflação. Segundo Werlang, na troca do sistema de metas monetárias - adotado provisoriamente - para o de metas de inflação, o governo terá mais condições de acelerar a queda dos juros. ‘‘Não tenho dúvidas taxas serão reduzidas’’, afirmou.
Três pontos foram relatados pelo diretor como fundamentais para o País começar a enxergar a luz no fim do túnel. O primeiro deles foram as medidas do ajuste fiscal. ‘‘Tudo que o Brasil deveria ter feito antes e não fez, agora está fazendo’’, destacou sem esquecer o apoio do Congresso Nacional. Para ele, o País perdeu a chance do equilíbrio fiscal ao não cumprir as medidas do pacote 51 criado depois da crise da Ásia, em outubro de 97, e deixado de lado. ‘‘Ali foi a origem de tudo’’, considerou.
Os outros dois pontos foram o acordo com o FMI e o compromisso dos bancos internacionais de manterem suas linhas de crédito comercial ao País. ‘‘São condições suficientes para financiarmos o balanço de pagamentos’’, destacou. Ele lembrou que, imediatamente depois da crise da Rússia, ‘‘o Brasil entrou numa rota de aumento do déficit em transações correntes enquanto o País crescia menos’’. Com isso, argumentou, acabou chegando a uma situação de inconsistência e perda das reservas internacionais. ‘‘O mundo estava sacando dinheiro do Brasil’’, considerou.
A opção pelo câmbio flutuante foi a mais acertada. Segundo ele, o Banco Central errou ao tentar continuar com o sistema de bandas. ‘‘Mas não insistiu no erro’’, disse. A política econômica atual, garantiu, é coerente e por isso ganhou o apoio ‘‘maciço’’ dos bancos internacionais.
O trabalho agora será o de brigar para que o ambiente interno continue o mais estável possível. ‘‘Por isso o sistema de metas para controlar a escalada inflacionária e permitir que as pessoas possam continuar vivendo sem inflação num horizonte longo’’.
Nem a CPI do sistema financeiro que está sendo pedida pelo PMDB, na avaliação de Werlang, poderá promover estragos nesta perspectiva para o País. ‘‘A CPI não é motivo de preocupação e não teria implicações que pudessem levar a uma mudança na condução da atual política econômica’’, disse o diretor. Na mesma medida, ele descarta o efeito Armínio Fraga. Para ele, a luz que se enxerga é devida ao programa coerente do governo. ‘‘Não é uma questão de peso de uma pessoa’’, disse.

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