País crescerá 6% em média em 10 anos
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 24 de fevereiro de 1997
Agência Estado, de São Paulo 
Arquivo FolhaKandir: volume anual de exportações deve chegar a US$ 70 bi no ano 2000O Brasil deve chegar ao ano 2006 com um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 1,3 trilhão e um PIB per capita de US$ 7,5 mil. A previsão foi feita, ontem, pelo ministro do Planejamento Antonio Kandir. Pelas suas contas, o País vai crescer a uma média anual de 6% nos próximos dez anos. Pela estimativa do governo, as exportações vão responder por uma parcela importante deste crescimento. Queremos chegar ao ano 2000 com um volume anual de exportações de US$ 70 bilhões, disse ele aos participantes do seminário Poupança Privada e Desenvolvimento Econômico, organizado pela Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e Federação Iberoamericana de Bolsas de Valores (FIABV).
As estimativas de Kandir incluem crescimento de 7% nas exportações este ano e no próximo, e 14% nos dois anos seguintes para chegar a US$ 70 bilhões no ano 2000. Para isso, contará com incentivos do governo. Entre os incentivos, Kandir listou alterações tributárias e maior disponibilidade de recursos destinados ao financiamento das vendas ao Exterior, a juros mais baratos. Além destes dois itens, kandir observou que a desoneração do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) incidente sobre commodities e bens intermediários começará a refletir no volume de exportação destes bens e também a infraestrutura vai melhorar de qualidade com a privatização, o que permitirá a redução de alguns custos de produção.
O crescimento médio de 6% do PIB depende da realização das reformas e representa um crescimento de 5% (na média) até o ano 2000 e depois, entre os anos de 2001 e 2003, a evolução média anual do PIB subirá para 7%, pelas contas apresentadas pelo ministro do Planejamento.
Kandir fez um discurso com conotações políticas. Ele argumentou com os presentes que era importante que a aprovação da reeleição ocorresse antes da discussão das reformas. Com a emenda da reeleição garantida, o governo ganha hegemonia política para conduzir as reformas. A reeleição cria novos microfundamentos políticos que permitirão avançar nas reformas com mais celeridade, observou. Isso não significa, segundo ele, que a mesma maioria política que garantiu a reeleição será repetida em todas as reformas. Mas ela (a maioria) ficou muito mais sólida do que se a possibilidade de reeleição não existisse.
O ministro observou que o compromisso em fazer a reforma da previdência é forte dentro do governo e que o presidente Fernando Henrique Cardoso vai se empenhar para que o Senado altere o projeto de reforma aprovado na Câmara dos deputados. Para Kandir, a reforma da Previdência é importante para ajudar o País a aumentar sua capacidade de poupança interna, hoje próxima a 17% do PIB.


