A combinação da alta dos juros com o pacote fiscal anunciado ontem já fez o governo rever para baixo a estimativa de crescimento para 98, de 4% para 2% do PIB. Confirmada a taxa, que ainda depende da possibilidade de redução dos juros e da eventual necessidade de novas medidas em função da crise externa, será o menor índice de crescimento no governo FHC, em pleno ano eleitoral.
A equipe econômica preocupou-se em deixar claro que não se trata de uma recessão - que se caracteriza por diminuição do PIB, que é a soma das riquezas produzidas no País. Ou seja, o que vai acontecer é uma redução do nível de crescimento. É como a diferença entre reduzir a velocidade de um carro e andar de ré. O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, José Roberto Mendonça de Barros, disse que essa queda não representa recessão. ‘‘Não vejo ninguém vislumbrando redução da riqueza do País’’.
O desempenho da economia no próximo ano será pior do que o registrado neste ano, que tem previsão de crescimento de 3,8%. Em 95, o PIB registrou um aumento de 4,2%, e em 96, 2,9%. Para empresas e trabalhadores, a retração da economia traz efeitos dolorosos mesmo que não possa ser classificada de recessão. Os investimentos caem, e com eles a geração de empregos.

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