Holambra – A participação nos números ainda é pequena, mas o mercado de flores começa a contribuir para que o País tenha superávit na balança comercial. O Brasil está produzindo e exportando mais flores e plantas ornamentais, diz o paranaense Moysés Lupion Neto, gerente comercial da Veiling Holambra, a maior e mais bem equipada cooperativa do setor na América Latina, com cadastro de 228 produtores e 315 grandes atacadistas.
No ano passado, o brasileiro consumiu R$ 2 bilhões em flores, dos quais cerca de R$ 600 milhões irrigaram produtores – a cadeia até o consumidor é cheia de intermediários, implica logística cara de transporte, afirma Lupion Neto. As vendas, diz ele, cresceram a uma média de 10% ao ano nos últimos cinco anos, sendo que a Veiling Holambra registrou crescimento de 13% em 2001, com leilões movimentando cerca de R$ 100 milhões. ‘‘O consumo per capita do País é de US$ 4, enquanto chega a US$ 167 na Suíça, US$ 160 na Noruega, US$ 94 na Alemanha, US$ 77 na Holanda, US$ 55 nos EUA e US$ 25 na vizinha Argentina.’’
Lupion garante que o País tem condições de atender tranquilamente um aumento de demanda, tanto interna como externa. Tanto é verdade que o País, que importou US$ 8 milhões em 1998, reduziu essas compras para US$ 5,5 milhões em 1999, US$ 5,1 milhões em 2000 e US$ 4,5 milhões no ano passado, mesmo com o mercado crescendo a 10% ao ano.
Para o diretor técnico da consultoria Flortec, Jaime Ramos Motos, o crescimento das exportações é expressivo, especialmente se for considerado que, a partir de 1999, o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), proibiu a exportação resultante de extrativismo, a exemplo de bromélias, sem comprovação de origem.
O consultor também acredita que o projeto FloraBrasilis para promover as exportações, criado pela Agência de Promoção de Exportações (Apex) em conjunto com o Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor), está dando resultados. O programa entrou em operação em março de 2001 e dispõe de verba de R$ 8,3 milhões para, em três anos, ‘‘ampliar em mais de 700% a receita dos produtores e criar 25 mil novos empregos’’. Hoje, a floricultura emprega 200 mil pessoas.
Gente como Rosemarina Pereira Borges, de 40 anos, mãe de Glaucia (20 anos) e Reginaldo (17 anos), que complementa a renda do marido aposentado com os 2,5 salários mínimos que ganha do grupo Schoenmaker, controlador da fazenda Terra Viva, onde diariamente colhe crisântemos para corte. ‘‘O trabalho é melhor e mais bonito do que cortar cana-de-açúcar’’, diz.

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