Wilson Pedrosa/Agência Estado
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Primeira medidaFHC, abservado por Cássio Taniguchi, cumprimenta o sindicalista Paulo Pereira da Silva: ‘‘calma’’O presidente Fernando Henrique Cardoso cobrou calma e ‘‘solidariedade’’ no combate ao desemprego, durante a cerimônia realizada ontem no Palácio do Planalto. E admitiu que os brasileiros terão de conviver com ‘‘bolsões’’ de desemprego em grandes metrópoles, como São Paulo, por mais dez a 15 anos. Para o presidente, o governo terá de atender a estes bolsões mesmo que o nível de investimentos aumente ou que sejam feitas mudanças estruturais.
Fernando Henrique criticou o tom alarmista dado ao assunto. ‘‘Esse desafio, nós temos de enfrentar com firmeza, com determinação, com solidariedade para com os setores que estão sendo alcançados, mas não numa posição de desespero, e muito menos de inércia’’, afirmou. ‘‘Chegou a hora de cobrar, também, solidariedade dos vários níveis da sociedade.’
Fernando Henrique disse que a imprensa trata com ‘‘nervosidade’’ o crescimento do desemprego no Brasil, que é mais grave na área metropolitana da Grande São Paulo. De acordo com o presidente, em outras regiões do País houve até mesmo redução do desemprego, como é o caso, segundo ele, de Porto Alegre. Fernando Henrique disse que o Rio de Janeiro vive hoje em ‘‘situação de pleno emprego, praticamente’’, pois o desemprego na cidade apurado em dezembro pelo IBGE foi de apenas 3,6%. ‘‘Num país desenvolvido, corresponde ao pleno emprego.’
O presidente lembrou que, se for perguntado qual é o principal problema do País atualmente, os moradores do Rio de Janeiro dirão que é o desemprego. Fernando Henrique disse que isso ocorre porque a população ‘‘está vendo o que acontece em outras áreas, no mundo e no Brasil, e porque a natureza do emprego mudou’’.
De acordo com sua argumentação, ‘‘o emprego estável, fixo, deixou de ter tanto peso quanto o emprego no setor mais informal, às vezes precário, às vezes não, mas com menos garantia’’. Para o presidente, ‘‘isso dá a sensação de uma certa angústia, que é compreensível, mesmo em regiões como o Rio de Janeiro’’.
Durante 15 minutos, Fernando Henrique traçou um histórico do crescimento do desemprego no Brasil e fez questão de explicar que é o deslocamento da oferta dos postos de emprego na área industrial que vem prejudicando antigas áreas de ocupação industrial, como a Grande São Paulo, mas beneficiando áreas no Nordeste e no Sul do País.
Disse que a oferta de emprego tem ‘‘crescido incessantemente, e mais depressa com o Plano Real’’. Na sua opinião, o problema é que a população economicamente ativa está crescendo numa velocidade maior que a da criação de novos postos de trabalho.
Embora a taxa de incremento da população tenha caído substancialmente nos últimos anos, o número das pessoas que ingressam no mercado de trabalho ainda é alto. ‘‘Se a taxa de crescimento (da população) é de 1,3%, a oferta de mão-de-obra é (cresce) 2,7%’, explicou. ‘‘A população economicamente ativa do Brasil deve ser, mais ou menos, de 70 milhões de pessoas, o que vai dar quase 2 milhões de pessoas (por ano)’, raciocinou. ‘‘Esse é o nosso desafio (criar anualmente esta quantidade de novos empregos)’’.

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