País compra menos leite do Mercosul
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quarta-feira, 01 de abril de 1998
Vânia Casado 
César AugustoNo varejoConsumidor tem como opção apenas os produtos nacionais. E o preço sobe As medidas restritivas adotadas pelo governo brasileiro para inibir a importação de leite e derivados já provocaram a redução nas importações do Mercosul. Só a Cooperativa Nacional de Produtores de Leite (Conaprole), maior cooperativa do Uruguai, já reduziu suas vendas ao Brasil, entre 10% e 15% do volume exportado, informou Nelson Laurino, gerente de exportação da cooperativa. A Conaprole exporta para o Brasil, em média, US$ 70 milhões/ano.
Para Laurino, a redução no prazo de pagamento das importações de leite para 30 dias e a obrigatoriedade de licença prévia para produtos importados representam um retrocesso nas negociações do Mercosul. Se o mercado é livre entre os quatro países, então ninguém pode proteger o seu mercado. Afinal, o Mercosul é um tratado sério ou é uma brincadeira?, questionou.
Para Laurino, o maior prejudicado é o consumidor brasileiro. Ele ressalta que, com a chegada do inverno ao Brasil, a oferta de leite cairá drasticamente - em função da baixa tecnologia empregada nos sistemas de produção da pecuária leiteira nacional - e a tendência é a elevação do preço no mercado brasileiro.
Se o preço se mantiver de acordo com o poder aquisitivo do consumidor e a procura for maior que a oferta, vai faltar leite no Brasil, prevê.
Em consequência da redução das importações de leite, o preço do produto ao consumidor já subiu no mercado interno, mas permanece inalterado para o produtor. Segundo o técnico do Deral, da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, Guilherme Oscar Richter, em março o preço médio do litro de leite, no mercado varejista do Paraná, foi de R$ 0,65, que corresponde a uma elevação de 14% sobre o preço médio praticado em fevereiro, que era de R$ 0,57 o litro. Em janeiro, o preço do leite no varejo era R$ 0,55 o litro. Para o produtor o preço está estabilizado em torno de R$ 0,20 o litro, desde o mês de janeiro. Para abril, os produtores esperam uma reação no preço, informou Richter.
A Conaprole exporta cerca de US$ 120 milhões/ano, e com a consolidação do Mercosul a empresa priorizou o mercado brasileiro. Trata-se de uma cooperativa que fatura US$ 300 milhões/ano, tem 14 fábricas distribuídas no Uruguai, conta com 3.300 sócios produtores e uma produção de 3 milhões de litros de leite por dia. Para manter uma produção dessa no Brasil, seriam necessários 40.000 produtores, comparou Laurino. Segundo ele, essa alta produtividade é resultado de fortes investimentos feitos no setor pela iniciativa privada.
Laurino argumentou que não é justo restringir as importações de um setor altamente competitivo no Mercosul. Até porque o mercado brasileiro é grande demais e tem espaço para a produção argentina, uruguaia e brasileira, basta que para isso os produtores sejam eficientes, desafiou.


