Rondonópolis Rompendo pela primeira vez a barreira dos 100 milhões de toneladas, o Brasil deve colher safra recorde de 112,36 milhões de toneladas em 42,31 milhões de hectares, segundo o último levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), volume 16,33% superior aos 96,58 milhões de toneladas do ano agrícola 2001/02. A soja e o milho devem totalizar 90,48 milhões de toneladas. Mas, enquanto o setor agrícola agrega ganhos com os avanços tecnológicos da produção à colheita, com reflexos na produtividade e rentabilidade da propriedade, o mesmo não se pode dizer quanto ao sistema de armazenagem, que não tem acompanhado a expansão da agricultura.
Segundo a Conab, a capacidade estática atual dos armazéns é de 87,53 milhões de toneladas, dos quais 63,18 milhões para estoques a granel. Mas a estrutura não pode ser plenamente utilizada, porque nem todos os armazéns estão credenciados pelo órgão para receber as mercadorias. Othon d'Eça Cals de Abreu, presidente da Kepler Weber, empresa gaúcha considerada a terceira maior do mundo em armazenagem e que responde por 65% deste segmento no Brasil, afirma que pelo menos 5% da estrutura atual está obsoleta. ''Isto significa que o produtor fica à mercê do comprador de grãos no momento em que está colhendo a safra, justamente quando o preço tende a ser menor'', explica.
Abreu, que esteve expondo os produtos da Kepler Weber na Agrishow Cerrado, em Rondonópolis (MT) entre os dias 8 e 12 deste mês, diz ainda que uma mostra da falta de estrutura de estocagem é a formação de longas filas de caminhões aguardando o momento de descarregar soja no Porto de Paranaguá. No entanto, o momento atual exige que o agricultor esteja preparado não só para a produção, mas também para negociar a mercadoria. Segundo Abreu, isto é possível ao escalonar as vendas, aproveitando os momentos de alta do preço. ''Mas, para vender a safra aos poucos, é preciso armazenar a produção'', lembra.
Abreu diz que nos Estados Unidos a capacidade de armazenagem corresponde a 2,5 vezes o volume da safra agrícola, enquanto na Europa é de 1,8 vez. ''No Brasil a capacidade é insuficiente para estocar a safra do ano, sem levar em consideração o espaço necessário para a formação dos estoques oficiais'', afirma. Mas, segundo ele, o agricultor tem se preocupado em dispor de estrutura própria na fazenda e evitar ficar exposto ao mercado. ''Por isso, a demanda tem aumentado'', diz, ao acrescentar que um sistema de armazenagem completo com capacidade para 10 mil sacas, indicado para áreas de 300 hectares, custa R$ 266 mil. A Kepler Weber prevê expansão de 20% no segmento. Por isso, esperar faturar R$ 307 milhões neste ano, frente aos R$ 256 milhões do exercício passado.
Abreu lembra ainda que o Brasil tem de ampliar muito a estrutura de armazenagem no campo, hoje em torno de 5% - a Conab avalia que 6% da capacidade esteja nas propriedades. Nos Estados Unidos, a relação é de 50% e na Argentina de 25%. ''Temos de ser rápidos quanto a isso'', diz o executivo, ao afimar que o País dispõe de fronteira agrícola de 150 milhões de hectares, metade do potencial do mundo. ''E não temos problema de falta de água.''

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