País colhe menos e consome mais trigo
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terça-feira, 29 de dezembro de 1998
Agência Estado e Redação 
O Brasil vai consumir mais e produzir menos trigo em 1999. O consumo nacional de trigo tem crescido de acordo com o aumento da população (crescimento vegetativo) e também pelo aumento no consumo de massas (pães, macarrão e biscoitos) após estabilidade econômica. Atualmente, o consumo de farinha de trigo e derivados é de 6,2 milhões de toneladas, o que representa uma demanda de 8,6 milhões de t de grãos. A previsão da Conab é de que sejam consumidas 8,7 milhões de t de trigo. Com isso, estima-se um aumento das importações do cereal em 350 mil t. Haverá, porém, uma redução da entrada de farinha - cerca de 80 mil t - já que a indústria moageira nacional vai aumentar o processamento do cereal.
O espaço comercial para o trigo é gigantesco, como se pode observar. Nem por isso, porém, vai haver aumento da produção na próxima safra. Pelo contrário, deve ocorrer um aumento na área de milho-safrinha, que acena com bons preços. É cultura de baixo custo e alta rentabilidade para o produtor, ao contrário do trigo nos últimos anos.
Os motivos que o produtor alega para não plantar trigo são mais do que convincentes: 1) Falta de política de amparo ao produto (financiamento de custeio, preço de garantia, seguro, etc), 2) Baixos preços praticados no mercado internacional, 3) Importações favorecidas por longos prazos para pagamento, 4) Taxas de juros internacionais entre 7% e 8% ao ano, 5) Difícil concorrência com trigo importado em condições privilegiadas. No Brasil, a área plantada com trigo, em 1998, teve uma redução de 5,7% em relação ao ano anterior, passando de 1,51 para 1,42 milhão de ha. Somente Paraná e Rio Grande do Sul representam mais de 95% dessa área e 93% da produção nacional na última safra. No Rio Grande do Sul houve uma redução de 19% enquanto no Paraná, houve um aumento discreto de 1,4%, conforme dados divulgados ontem pela Companhia Nacional do Abastecimento (Conab). Baixos preços, baixa rentabilidade e perdas causadas pelo clima explicam - segundo a Conab - a redução anual da área destinada ao trigo.
A produção nacional passou de 2,38 milhões de t em 1997, para 2,18 milhões de t, em 1998. A redução foi de 8,2%. Se as condições climáticas tivessem sido favoráveis, expectativa era de uma boa safra de 2,6 milhões de t, mas as chuvas na época da colheita fez com que a produção diminuísse e a qualidade do cereal colhido fosse afetada, informa a Conab. E, segundo a Secretaria da Agricultura do Paraná, através do Deral, as perdas devido aos fatores climáticos foram de 547,6 mil t, um prejuízo de R$ 82 milhões.
No Mercosul A produção dos países do Mercosul deve apresentar uma queda de 25,5% passando de 17,8 milhões para 13,36 milhões de t, de acordo com o levantamento feito pela Conab. Com isso, o bloco deverá apresentar um déficit de 800 mil t, passando da condição de exportador para importador em 99.
A produção mundial de trigo, na próxima safra, deverá ser de 590,6 milhões de t de acordo com levantamentos do USDA. E a estimativa de consumo é de 601,8 milhões de t. Atualmente, os estoques mundiais do cereal é de 135 milhões de t, devendo cair para 123,8 milhões em 99, devido ao aumento no consumo.


