Alda do Amaral Rocha
Agência Estado
O ministro da Agricultura, Marcus Vinicius Pratini de Moraes, disse ontem que o Brasil ‘‘já cedeu demais na abertura da economia’’ e que está na hora de abrir novos mercados para produtos brasileiros, eliminando restrições tarifárias e não-tarifárias, como as barreiras fitossanitárias. Pratini afirmou que o Brasil se atrasou no processo de abertura e que ainda ‘‘há algo para abrir’’.
‘‘As exportações brasileiras têm espaço para crescer, o País exporta menos de 7% do Produto Interno Bruto’’, afirmou.
O ministro, que participou de almoço com representantes da Sadia, da associação dos exportadores de frango e com o embaixador do Irã no Brasil, Fereidoon Haghbin, em Brasília, voltou a criticar os subsídios agrícolas dados pela União Européia, estimados em US$ 60 bilhões (subsídios diretos) e disse que a UE ‘‘é um clube de subsídios’’.
O ministro considera um avanço que os europeus tenham aceitado discutir a questão dos subsídios durante a Cimeira, no Rio de Janeiro. ‘‘Esta é a primeira vez que líderes políticos da EU admitem conversar sobre produtos agrícolas.’’
Na avaliação do ministro, isso significaria a possibilidade de abrir mercados. Pratini disse que o País não espera que a EU vá reduzir seus subsídios, ‘‘isso vai se impor por questões internas, orçamentárias’’, afirmou.
O ministro afirmou que outros países também são afetados pela política protecionista da União Européia. Dessa forma, o Brasil deve atuar em conjunto com o grupo de Cairns, num esforço para reduzir os subsídios na Rodada do Milênio. Na Rodada Uruguai do Gatt, houve uma redução de 36% nos subsídios da EU e a expectativa é de nova redução na Rodada do Milênio.
O ministro defendeu o aumento das exportações de produtos de maior valor agregado. Ele comparou o preço do frango na exportação, que está em cerca de US$ 1.200,00/t, com o do farelo de soja, que está em US$ 232,00/t.

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