Brasília - A qualificação de profissionais é o principal desafio do governo Dilma para um Ministério do Trabalho e Emprego sem representatividade e com pouca força política para romper as barreiras da desqualificação profissional no Brasil. A questão extrapola a Pasta e é uma das preocupações do governo. Afinal, a falta de mão de obra especializada pode comprometer, inclusive, a continuidade do crescimento do País. A tendência, segundo o próprio ministro Carlos Lupi, é de maior estrangulamento, dada a expansão da economia doméstica e o aumento dos investimentos estrangeiros no Brasil.
  A percepção generalizada é de que a função do titular da Pasta pouco pode ajudar nessa questão. Os críticos dizem que a visibilidade do ministério é baixa e, na prática, se restringe à divulgação mensal dos números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Essa baixa projeção e poder do ministro teria sido um dos motivos para que a Força Sindical declinasse do convite para assumir o Ministério do Trabalho e Emprego por considerá-lo pouco representativo e com um orçamento com poucos recursos. Mesmo comportamento adotou a Central Única de Trabalhadores (CUT), que também não manifestou interesse no cargo, apesar de a CUT ser próxima do PT, partido que elegeu Dilma Rousseff. Com isso, Lupi permanece no cargo em 2011.
  A questão é que os gargalos da falta de qualificação são observados nos mais diferenciados setores. O setor que mais vem ganhando o noticiário nacional em função da inexistência de trabalhadores preparados é o da aviação. O problema tem sido visto em várias companhias, que não conseguem obter profissionais capacitados na mesma velocidade de crescimento do setor.
  Manter essa paridade entre a oferta e demanda de bens é algo fundamental para que não haja inflação. Recentemente, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, atribuiu parte da alta dos preços ao aquecimento da economia e citou a falta de mão de obra disponível como um sintoma desse momento pelo qual passa o País. No balanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) de 2007 a 2010, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também relatou que sente o problema de perto: não encontra pedreiros para reformar seu apartamento em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, para onde se mudará após deixar o governo neste sábado (1º).
  Além disso, a disparada dos preços tem encontrado respaldo nos aumentos de salário concedidos pelas empresas para segurar os profissionais. O Banco Central (BC) chegou a fazer um alerta sobre essa movimentação, que é mais visível no setor de serviços.

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