País captou US$ 3,6 bi em setembro
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sábado, 21 de novembro de 1998
Agência Estado 
O presidente do Banco Central, Gustavo Franco (foto), disse ontem que, apesar de toda a crise internacional, entraram no País em setembro, em recursos estrangeiros para investimentos diretos, cerca de US$ 3,6 bilhões, um valor muito superior ao registrado em qualquer ano - inteiro - da segunda metade de década de 80. Ele disse que este é um recorde histórico e a média de investimento estrangeiro direto em 98 ficará em US$ 2 bilhões ao mês.
Este é um mundo que nada tem a ver com as questões do mercado financeiro, afirmou. De acordo com ele, este ano os recursos estrangeiros para investimentos produtivos totalizarão aproximadamente US$ 24 bilhões, volume quer deverá se repetir em 99.
Segundo Franco, que fez uma palestra para os participantes do 18º Encontro Nacional de Comércio exterior (Enaex), os bons ingressos de capital estrangeiro não ocorreram apenas por causa das privatizações. Pelos seus cálculos, somente um terço dos recursos investidos por estrangeiros decorreram das privatização.
Para o ano que vem, ele acha que a participação do capital estrangeiro nas privatizações será maior, inclusive porque deverão ser vendidos bancos como o Banespa e o Banestado. Noto que, nos leilões de bancos, os maiores interessados são empresas estrangeiras que querem entrar no Brasil e que, diante da competição no sistema bancário, precisam se instalar já com uma boa rede de agências.
Para Franco, que também deu uma longa entrevista coletiva após a palestra, o Brasil, cujo programa de privatização é o maior já feito no mundo, ainda tem mais US$ 40 bilhões a privatizar. Segundo disse, há ainda a serem vendidos, além de bancos, geradoras de energia, distribuidoras de energia estaduais e empresas de saneamento, entre outras.
Com isso, afirmou, a responsabilidade dos investimentos no Brasil está sendo transferida para o setor privado, o que permitirá ao governo equilibrar suas contas. A palestra de Franco não chegou a entusiasmar os empresários presentes, uma vez que ele não se deteve nas questões brasileiras.


