O Brasil recebeu US$ 20 bilhões em investimento estrangeiro direto neste ano. O volume ficou dentro das projeções feitas Banco Central antes dos atentados terroristas de 11 de setembro, mas está cerca de 40% abaixo do que o registrado em 2000. No mês passado, os estrangeiros investiram US$ 2,18 bilhões no Brasil. É menos da metade dos US$ 5,72 bilhões investidos em novembro de 2000. No ano passado, porém, o resultado foi influenciado pela privatização do Banespa, que rendeu US$ 3,69 bilhões aos cofres da União. Neste mês, os investimentos estrangeiros somavam, até ontem, US$ 1,3 bilhão. Com esse número, o resultado acumulado no ano chega a US$ 20 bilhões, número que mudará pouco até o final do mês.
A dívida externa total do Brasil somou US$ 216,451 bilhões em setembro, o que representa um aumento de US$ 8,7 bilhões em relação a junho deste ano, quando estava no patamar de US$ 207,752 bilhões.

A forte queda nas importações fez com que o déficit em transações correntes, um dos principais indicadores da vulnerabilidade externa do País, atingisse, em novembro, o nível mais baixo desde abril. O déficit acumulado nos últimos doze meses representou 4,75% do PIB (Produto Interno Bruto) do período.
Apesar da queda, a relação entre o déficit externo e o PIB continua elevada. No final do ano passado, por exemplo, essa proporção estava em 4,15%. Na América Latina, o déficit em transações correntes de países como Uruguai e Chile representa menos de 3% do PIB de cada país.
A redução do déficit vem ocorrendo graças à melhora da balança comercial, que, no mês passado, registrou superávit de US$ 288 milhões. Em novembro de 2000, houve déficit de US$ 655 milhões. No mesmo período, as importações caíram 16,5%. As exportações, por outro lado, registraram um ligeiro crescimento de 2,5%.
No início do ano, quando a cotação do dólar estava próxima de R$ 2, o BC projetava que a balança fosse fechar 2001 com um déficit de US$ 500 milhões. Agora, a previsão é de um superávit de US$ 1,8 bilhão. Até a semana passada, o superávit era de US$ 1,9 bilhão.
A conta de transações correntes é formada pela soma dos resultados da balança comercial (diferença entre exportações e importações), pela balança de serviços (pagamento de juros no exterior, viagens internacionais, remessa de lucros etc.) e pelas transferências unilaterais (dinheiro enviado ao Brasil por residentes no exterior e vice-versa).

O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, disse que, mesmo com a queda do dólar, é possível atingir um saldo comercial de US$ 5 bilhões. Segundo Lopes, caso o dólar continuasse na casa de R$ 2,60, o superávit poderia chegar, em 2002, a US$ 8 bilhões.

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