País aumenta fronteira agrícola
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terça-feira, 24 de junho de 1997
Rosana de Cássia Agência Estado BRASÍLIA 
ArquivoParte da nova área será destinada a assentamentos, se os sem-terras aceitaremO presidente Fernando Henrique Cardoso anunciou ontem no seu programa semanal de rádio Palavra do Presidente que o governo vai liberar, no prazo de 12 meses, mais de 6 milhões de hectares para a agricultura com a conclusão das obras de asfaltamento da estrada que liga Boa Vista (RR) a Manaus (AM). Segundo ele, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está desenvolvendo um programa para promover uma ocupação racional e organizada dessas terras. Estamos iniciando os trabalhos para criar uma nova e gigantesca fronteira agrícola em nosso País, afirmou.
Fernando Henrique disse que vários grupos já estão atuando para a instalação da infra-estrutura necessária à região. Só assim dá certo, afirmou. O presidente anunciou também que o BNDES vai financiar pequenos e médios agricultores que desejarem se transferir para essa nova fronteira agrícola, que também será usada pelo programa da reforma agrária.
Ele informou que o Incra deverá comprar terras, na região, para assentar trabalhadores sem-terra. O BNDES está plantando a semente nas terras dessa nova fronteira, que, de tanto colossal, terá capacidade para dobrar a produção agrícola nacional, garantiu.
Segundo Fernando Henrique, essa primeira investida do BNDES numa fronteira agrícola é tão importante para o desenvolvimento do País como foi a construção de Brasília. Como uma diferença: esse novo eixo de desenvolvimento do Brasil não gera inflação, disse.
Íntegra A seguir, a íntegra do pronunciamento de
Fernando Henrique em seu programa de rádio:
Faltam poucos dias para o Brasil comemorar mais um ano de sucesso do real. Inflação baixa, moeda estável, estabilização da economia. Isso tudo junto, como todo mundo sabe, vem, já há três anos, garantindo uma vida melhor aos brasileiros. Principalmente aos brasileiros que ganham pouco, os de baixa renda.
Nesse período, o País mudou muito. Com salário um pouco melhor, você pode comprar um pouco mais. A indústria precisou produzir mais. E teve o apoio do governo. Apoio do BNDES, que é o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social. Hoje o banco é o nosso grande motor de desenvolvimento. Criou linhas de crédito para permitir que as empresas aumentem e melhorem a produção.
O que está acontecendo com a indústria automobilística é um exemplo de sucesso. É uma história de sucesso. Nos próximos três a quatro anos, o setor automobilístico deve investir cerca de 20 bilhões de dólares no Brasil. E muitos empregos vão ser gerados, não só quando as fábricas estiverem prontas, mas enquanto estiverem em construção, na área da construção civil.
Nesse período de grande investimento, que não dão uma resposta imediata, no que diz respeito a emprego direto na indústria, o BNDES investiu também em outros setores que geram empregos mais rápidos.
Com o Programa Proemprego e recursos do FAT, o Fundo de Assistência ao Trabalhador, nós investimos quase 2 bilhões de reais na construção de três metrôs, no Rio de Janeiro, em Brasília e em São Paulo. Só na capital paulista as obras do metrô estão gerando 30 mil empregos.
O banco também investiu na construção de shopping. E você sabe que, na época da construção, isso gera muito emprego. E depois, quando as lojas abrem suas portas, mais emprego. E a política de financiamento do BNDES ajudou Florianópolis a tomar o lugar do Rio de Janeiro no movimento de turistas estrangeiros. A capital de Santa Catarina só perde pra São Paulo. E isso, antes mesmo da consagração do nosso campeão Gustavo Kuerten. Lá, o Banco investiu na construção de novos hotéis, e melhorou a situação financeira daqueles que amargavam uma crise de mais de dois anos. E um hotel se constrói muito mais rápido que uma fábrica de automóveis.
E nesses três anos de real, o BNDES também deu uma mão para mudar o mapa da indústria nacional. E isso é muito importante. Fábricas de automóveis se instalaram fora de São Paulo e Minas. Indústrias de calçados e de tecidos ganharam o Nordeste. A atuação do banco permitiu o aumento da produção, do emprego e das exportações.
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