O Brasil completa o quarto ano de estabilização da moeda batendo o recorde de investimentos estrangeiros direcionados para a atividade produtiva. Até dezembro de 1998, economistas calculam que o Brasil terá absorvido cerca de US$ 50,3 bilhões desde 1994, ano em que foi criado o Plano Real. A cifra, que já leva em conta a inflação em dólar, é o dobro da registrada na época do milagre brasileiro, entre 1973 e 1981. Nesse período, a economia crescia, em média, 7% ao ano e os investimentos diretos somaram US$ 24,3 bilhões.
A perspectiva, segundo especialistas, é de que esse forte movimento de entrada de moeda estrangeira para compra de empresas, públicas e privadas, e abertura de novas unidades produtivas se mantenha até o ano 2000, sustentado especialmente pelas privatizações. A partir daí, prevê o economista da MA Associados, Flávio Nolasco, deverá ocorrer uma diminuição natural da entrada de poupança externa e a economia será impulsionada pelo lucro proveniente dos investimentos realizados.
‘‘O Plano Real foi importante para o País absorver de forma mais agressiva o capital estrangeiro produtivo’’, diz o economista da MB Associados, Celso de Campos Toledo Neto. Essa opinião é endossada por Nolasco, que considera consistente esse forte movimento de entrada de capitais. ‘‘As empresas estão olhando para o longo prazo e o Brasil é um mercado pouco explorado, apesar da medíocre taxa atual de crescimento’’, afirma.
Toledo Neto observa, no entanto, que apesar de o volume absoluto de recursos registrado desde o início do Plano Real superar de longe o da época do milagre, o País absorveu nos últimos três anos uma fatia de recursos bem inferior à obtida naquele período.
Em seus cálculos, entre 1973 e 1981, o País incorporou a cada ano, em média, 6% dos investimentos estrangeiros diretos disponíveis no mundo. De 1994 em diante, a participação do Brasil tem sido crescente, mas encerrou 1996 com 2,7% do total dos capitais externos. Toledo Neto atribui essa tímida participação ao fato de o País ter entrado mais tarde do que outras economias em desenvolvimento, como por exemplo a China, na disputa por capitais internacionais, atropelado pela própria falta de estabilidade da sua moeda.
As estatísticas disponíveis mostram que foi a partir de 1990 que os países em desenvolvimento iniciaram o processo de recuperação do volume de investimentos diretos. Mas o Brasil só entrou nessa corrida para valer após a implantação do Plano Real.
Além da estabilidade da moeda proporcionada pelo Plano Real, que deu previsibilidade aos investidores estrangeiros, os economistas apontam a abertura comercial como um fator de peso na atração do capital externo. ‘‘Tudo começou em 1990, na época do Plano Collor e, com o Plano Real, o País ficou em evidência’’, diz Nolasco.
Com a abertura, confirma Toledo Neto, a economia se mostra mais competitiva e esse é um indicador que orienta os investidores internacionais. Em contrapartida, observa Nolasco, essa maior competitividade acaba aumentando disponibilidade das empresas nacionais a se associarem ou serem compradas por companhias estrangeiras, pois elas descobrem que para competir precisam de tecnologia mais moderna. O resultado é que o movimento de fusões e aquisições acaba ampliando o volume de entrada de investimento estrangeiro direto, impulsionado pela própria abertura.

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