Ge­ne­bra - O Bra­sil apre­sen­ta­rá uma quei­xa na Or­ga­ni­za­ção Mun­dial do Co­mér­cio (OMC) con­tra a rein­tro­du­ção dos sub­sí­dios da­dos pe­los Es­ta­dos Uni­dos aos pro­du­to­res de lei­te, acu­san­do a Ca­sa Bran­ca de es­tar que­bran­do a pro­mes­sa de não ­criar bar­rei­ras ao co­mér­cio em ple­na cri­se mun­dial. Pa­ra o ­País, se es­sas me­di­das se pro­li­fe­ra­rem, a re­cu­pe­ra­ção da eco­no­mia mun­dial se­rá ain­da ­mais di­fí­cil.
  O Ita­ma­raty, em co­la­bo­ra­ção com Ar­gen­ti­na, Uru­guai e o gru­po de paí­ses emer­gen­tes, apre­sen­ta­rá ho­je em Ge­ne­bra um ata­que con­tra o go­ver­no de Ba­rack Oba­ma por ter des­cum­pri­do seu com­pro­mis­so em Lon­dres, no G20, de não ele­var bar­rei­ras ao co­mér­cio ou ado­tar me­di­das dis­tor­ci­das.
  Na Eu­ro­pa, pro­du­to­res de lei­te de vá­rios paí­ses to­ma­ram as ­ruas nos úl­ti­mos ­dias pa­ra pro­tes­tar con­tra os pre­ços bai­xos e pe­dir aju­da es­ta­tal. Pa­ra o Bra­sil, a in­ter­ven­ção ape­nas irá agra­var as dis­tor­ções.
  Não se tra­ta de uma dis­pu­ta nos tri­bu­nais, mas sim uma de­cla­ra­ção po­lí­ti­ca con­tra o fa­to de os ame­ri­ca­nos te­rem rein­tro­du­zi­do os sub­sí­dios. O Bra­sil vai aler­tar ao Con­se­lho Ge­ral da en­ti­da­de que es­tá ‘‘pro­fun­da­men­te ­preocupado’’ com a de­ci­são dos ame­ri­ca­nos de re­to­mar os sub­sí­dios ao se­tor. Um re­cen­te re­la­tó­rio da OMC apon­tou que o ris­co de um au­men­to do pro­te­cio­nis­mo era ­real.
  A ques­tão do lei­te é o ca­pí­tu­lo ­mais re­cen­te des­sa ten­dên­cia e a de­ci­são foi to­ma­da na sex­ta-fei­ra pas­sa­da. Pa­ra o Bra­sil, a me­di­da é uma de­mons­tra­ção da for­ça que o pro­te­cio­nis­mo vem ga­nhan­do. O Ita­ma­raty ad­mi­te que não se tra­ta de uma vio­la­ção das re­gras da OMC. Mas seu ‘‘po­ten­cial ­enfraquecimento’’. A OMC fez ques­tão de elo­giar Oba­ma por sua re­sis­tên­cia às me­di­das pro­te­cio­nis­tas nos úl­ti­mos me­ses. Mas a pres­são po­lí­ti­ca co­me­ça a se trans­for­mar em no­vas dis­tor­ções.
  O Bra­sil pe­de que os ame­ri­ca­nos re­ti­rem os sub­sí­dios. ‘‘O pro­te­cio­nis­mo se pro­li­fe­ra ­rapidamente’’, afir­ma­rá Ro­ber­to Aze­ve­do, em­bai­xa­dor do ­País na OMC em seu dis­cur­so. ‘‘O pro­te­cio­nis­mo não é ape­nas a ele­va­ção de ta­ri­fas, mas in­clui qual­quer for­ma de in­ter­ven­ção go­ver­na­men­tal, co­mo sub­sí­dios, e que ar­ti­fi­cial­men­te mu­dam o cam­po a fa­vor das em­pre­sas do­més­ti­cas, em de­tri­men­to da con­cor­rên­cia ­estrangeira’’, di­rá o dis­cur­so.
  Se­gun­do o Bra­sil, os pro­du­to­res dos paí­ses emer­gen­tes que não con­tam com sub­sí­dios se­rão afe­ta­dos. Pe­los en­ten­di­men­tos da OMC, os paí­ses te­riam de eli­mi­nar to­dos os sub­sí­dios à ex­por­ta­ção até 2013. Mas is­so ape­nas se o acor­do da Ro­da­da Do­ha for con­cluí­do.
  Os sub­sí­dios são vis­tos pe­lo Bra­sil co­mo uma amea­ça a ­seus pla­nos de am­pliar a pro­du­ção e ex­por­ta­ção. Ho­je, o ­País é o sex­to ­maior pro­du­tor do mun­do, ­atrás de Es­ta­dos Uni­dos, Ín­dia, Rús­sia, Ale­ma­nha e Fran­ça.
  As es­ti­ma­ti­vas do ­País são de que o se­tor lác­teo re­ce­be sub­sí­dios de ­mais de US$ 40 bi­lhões por ano nas eco­no­mias ri­cas. No Ca­na­dá, 84% da aju­da que re­ce­bem os pro­du­to­res vão pa­ra o se­tor lác­teo. Nos Es­ta­dos Uni­dos, es­sa ta­xa é de 55%. Na Eu­ro­pa, 80% dos sub­sí­dios ao se­tor vão pa­ra aju­dar as ex­por­ta­ções. Não por aca­so, a UE do­mi­na um ter­ço do mer­ca­do mun­dial.

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