País apresenta proposta para redução de subsídios
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 20 de agosto de 2003
Jamil Chade<br> Agência Estado 
Genebra O Brasil apresentou ontem, na Organização Mundial do Comércio (OMC), uma nova proposta de liberalização agrícola e ainda conseguiu um fato inédito: o apoio da China, África do Sul, Argentina, Índia, México, Tailândia e outros países em uma ofensiva para garantir que, depois de meio século de debates e processos, os mercados agrícolas mundiais sejam finalmente abertos. Juntos, esses países contam com quase 70% dos fazendeiros do mundo, a maioria deles vivendo com menos de US$ 1 por dia.
O documento vem em um momento em que Estados Unidos e União Européia (UE) tentam garantir que sua proposta de abertura limitada do setor agrícola prevaleça nas negociações que deveriam estar parcialmente concluídas em 20 dias, durante a reunião da OMC em Cancún. ''Tentamos equilibrar o jogo e mostrar que a rodada de negociações, que é sobre o desenvolvimento, deve respeitar o seu mandato inicial acordado entre os países em Doha em 2001'', afirmou o embaixador do Brasil em Genebra, Luis Felipe de Seixas Correa.
Para a organização não-governamental Oxfam, a proposta brasileira é ''radical'' e seu ponto mais positivo é o pedido para que todos os subsídios às exportações sejam eliminados, e não apenas reduzidos, como queriam Washington e Bruxelas. Segundo a proposta, os produtos de maior interesse para os países pobres deveriam ter uma eliminação mais rápida desses subsídios. A proposta também fala no corte substantivo de apoio doméstico, mesmo aqueles que são considerados pelos países ricos como menos prejudiciais.
Para completar a ofensiva, o Brasil pede uma forte queda das altas tarifas de importação nos países ricos para a entrada de produtos agrícolas. Segundo o documento, porém, existiria a possibilidade de que países em desenvolvimento, como a Índia, pudessem manter suas tarifas por algum tempo suplementar para evitar uma quebra do setor rural.


