BRASÍLIA - As transações comerciais e de serviços do Brasil com o exterior (as chamadas transações correntes) ficaram deficitárias em US$ 2,68 bilhões em fevereiro. Isso significa que os gastos brasileiros nas operações de comércio exterior, pagamento de juros e viagens internacionais, além de outras despesas, superaram o que o Brasil recebeu em transações da mesma natureza.
O resultado demonstra uma piora nas contas do País, tanto em relação ao mês de janeiro passado, quando este déficit foi de US$ 1,9 bilhão, quanto se comparado ao mesmo período de 1996. Enquanto nos dois primeiros meses deste ano o saldo das transações correntes ficou negativo em US$ 4,58 bilhões, no ano passado o saldo nagativo acumulado no bimestre foi de US$ 1,92 bilhão.
No período de 12 meses o déficit em transações correntes chegou a 3,55% do Produto Interno Bruto (PIB), o pior resultado dos últimos dois anos. Este buraco é reduzido para 2,25% do PIB quando contabilizados os investimentos diretos, os recursos externos que entram no País para abertura de fábrica ou investimento numa indústria. Ou seja, recursos que não devem mais sair.
Ao divulgar os números ontem, o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, destacou que a expectativa do governo é de melhor desempenho das contas externas a partir deste mês. Pesaram no déficit deste ano os resultados da balança comercial (no bimestre janeiro/fevereiro, o saldo está deficitário em US$ 2 bilhões) e ainda a Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras (CPMF).
Ante à perspectiva de cobrança do novo tributo, as multinacionais instaladas no Brasil anteciparam a remessa de lucro e dividendos para suas matrizes. Nos dois meses, a saída de recursos no segmento chegou a US$ 891 milhões, sendo US$ 683 milhões em janeiro e US$ 208 milhões em fevereiro. No mesmo período do ano passado, estas remessas ficaram em US$ 296 milhões.
Em viagens internacionais o Brasil gastou US$ 639 milhões a mais que recebeu de turistas estrangeiros no bimestre. Isso sem considerar os gastos com passagens aéreas relacionadas em transportes. Neste item, o déficit foi de US$ 309 milhões.
Um indicativo de melhora nas contas do País destacado por Lopes é o ingresso de investimentos diretos que, até o último dia 14, chegou a US$ 400 milhões.
ReservasAs reservas internacionais do País voltaram a crescer. Em fevereiro, o saldo em caixa (os recursos efetivamente disponíveis) aumentou US$ 718 milhões e chegou a US$ 58,5 bilhões. No conceito de liquidez internacional (que considera créditos a receber), as reservas aumentaram US$ 454 milhões e fecharam o mês passado em US$ 59,4 bilhões.

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