O ministro, Pratini de Moraes, deverá declarar ‘‘livre da febre aftosa com vacinação’’ toda região Leste do Circuito Pecuário Centro-Oeste, formada pelos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, leste de Minas, Bahia e Sergipe. A declaração inclui a zona ‘‘tampão’’ (área de proteção entre a zona liberada e a contaminada pela doença). A declaração deve ocorrer na primeira quinzena de janeiro próximo. A zona tampão é constituída por 14 municípios do Norte e Nordeste de Goiás, parte do Mato Grosso e todo o estado do Mato Grosso do Sul.
O Circuito Pecuário Centro-Oeste (GO, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso e Distrito Federal - com exceção das áreas tampão) já foi reconhecido como livre da aftosa com vacinação em maio deste ano pelo Comitê Internacional de Epizootias (OIE), com sede em Parais e que delibera sobre questões de sanidade animal em nível mundial.
Da mesma forma o chamado Circuito Pecuário Sul, formado pelo Rio Grande do Sul e Santa Catarina, já é considerado livre da doença com vacinação pelo OIE e sem vacinação pelo governo brasileiro.
Foco O reconhecimento do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina como zonas livres sem vacinação pelo OIE, que deveria ser analisado em maio de 2001, foi prejudicado pelo ressurgimento de um foco de aftosa em agosto passado, no município gáucho de Jóia, por falta de controle preventivo do Estado.
Segundo o coordenador de Vigilância e de Programas Sanitários do Ministério da Agricultrua, Jamil Gomes de Souza, o circuito pecuário Leste e a zona tampão do Centro Oeste poderão obter o título de liberados da aftosa com vacinação porque há mais de dois anos não registram a presença do virus da aftosa. Além disso contam com a melhoria no controle sobre a doença dos estados com os quais fazem fronteira, nas regiões Norte e Nordeste.
Com relação ao Rio Grande do Sul, Jamil Gomes de Souza informa que no próximo dia 24 será coletada a última amostra para exame sorológico nos animais ‘‘sentinelas’’ (cobaias) colocados na região de Jóia.
O resultado deverá ser conhecido dentro de três a quatro dias após o envio e análise do material ao laboratório do Ministério da Agricultura (Lapa) em Porto Alegre. Caso o resultado seja negativo - como ocorreu com as duas análises feitas anterioremente (são feitas três no total) será possível encerrar a ‘‘emergência sanitária’’, porque ficará comprovado que não há virus da aftosa no meio ambiente da região.
Ele explica que foram colocados 295 animais ‘‘sentinel’’ em Jóia no dia 13 de novembro passado, sendo que no primeiro dia foi feito um exame sorológico e no dia 24 do mesmo mês o segundo. O terceiro só pode ser realizado 30 dias após, razão pela qual será feito às vésperas do Natal.
Encerrada a ‘‘emergência sanitária’’ no Rio Grande do Sul, o estado não necessitará retomar a vacinação contra a aftosa, porque a situação foi caracterizada como um foco isolado. Com isso, segundo o coordenador de Vigilância e Programas Sanitários do Ministério da Agricultura, o governo poderá retomar as providências para obter o reconhecimento do Circuito
Pecuário Sul como livre da doença sem vacinação junto ao OIE. Conforme ele, o último abate de animal infectado na zona de emergência sanitária no Rio Grande do Sul ocorreu em outubro passado. E será a partir do último abate, em outubro, que começarão a ser contados os 12 meses exigidos pelo OIE, para que o Brasil possa novamente encaminhar o pedido de reconhecimento de livre da aftosa sem vacinação para os dois estados do Sul.
Isso significa que a solicitação só será examinada pela comissão da aftosa da OIE na reunião pr evista para janeiro de 2002 e, posteriormente, pela assembléia geral dos 155 países que formam o instituição, na reunião marcada para maio de 2002. ‘‘Mesmo ficando caracterizado como emergência sanitária, o foco do Rio Grande do Sul nos fez perder um ano para obter o reconhecimento’’, lamenta.

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