O ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, formalizou ontem o chamado Circuito Pecuário Leste como área livre de febre aftosa com vacinação. Integram esse circuito os estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, Sergipe e o leste de Minas Gerais. O ministro informou ainda que os estados do Mato Grosso do Sul, Tocantins e as ‘‘zonas tampão’’ de Goiás, Mato Grosso e São Paulo também passam a ser reconhecidas como áreas livres da doença.
Participam da cerimônia o presidente Fernando Henrique, o vice Marco Maciel, e governadores e secretários de agricultura dos estados envolvidos no Circuito Pecuário Leste.
O ministro também formalizou a ampliação do Programa Nacional de Erradicação da Peste Suína Clássica. Com isso, as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do País, e os estados da Bahia e Sergipe passam a ser considerados áreas livres da doença. Segundo Pratini, desde 1978 o Brasil estava praticamente excluído do mercado internacional de carne suína, mas agora com a declaração dessas regiões o País volta a ter grandes possibilidades de negócios.
O ministro anunciou o lançamento de um programa nacional para controle e erradicação da brucelose e da tuberculose animal. Segundo o ministro, o programa é ‘‘bastante ambicioso’’ e levará cerca de 10 anos para que essas duas doenças sejam erradicadas no País.
Exportações Com a inclusão do Circuito Temporário Leste como área livre de aftosa, Pratini disse que espera uma ampliação nas exportações de carnes brasileiras este ano. A expectativa do ministério é de que as receitas com exportações de carnes cheguem a US$ 2,3 bilhões ante US$ 1,950 bilhão, registrado no ano passado.
O presidente FHC disse ontem, na sede da Embrapa, que o controle da febre aftosa e da febre suína é condição para que o País realize o seu potencial exportador na área pecuária. ‘‘O momento que vivemos é de qualidade. E sem o salto de qualidade a quantidade, só, não resolve muita coisa’’, afirmou. O presidente disse que graças à integração de esforços entre os governos Federal e estaduais, produtores, políticos e pesquisadores, o País tem dado esse salto de qualidade. Esse ano, informou, o Brasil terá mais recursos para a pesquisa tecnológica, graças aos fundos de financiamento, criados no ano passado, e previu para 2002 um orçamento de mais de R$ 1 bilhão para essas atividades.
.FHC, que não anunciou nenhuma outra medida de benefício para a agricultura, elogiou o trabalho do ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, e desculpou-se com ele por eventuais problemas gerados pela diferença entre o estilo gaúcho do ministro e o seu estilo ‘‘de um paulista que nasceu no Rio de Janeiro’’. ‘‘Mas como maestro da festa eu sei que precisa de vez em quando ter uma trombeta’’, afirmou. O governador Jaime Lerner, disse que a área livre dessa doença e da febre aftosa atinge 3.900 municípios onde está 87% do rebanho. E que o Paraná só exporta 7% de sua produção e prevê aumento de vendas para o Japão e para a União Européia, que há 20 anos não compra o produto do Brasil. Segundo ele, a suinucultura movimenta no País R$ 8 bilhões por ano e gera 2,5 milhões de empregos diretos e indiretos.

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