País ainda é dependente de capital externo
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terça-feira, 19 de dezembro de 2000
Agência Folha De Brasília 
Quase dois anos depois da maxidesvalorização do real, o grau de dependência do país em relação ao capital externo se mantém praticamente inalterado. No mês passado, o déficit em transações correntes principal indicador dessa dependência acumulado em 12 meses representava 4,19% do Produto Interno Bruto (PIB). Em dezembro de 1998, pouco antes da maxidesvalorização, esse mesmo índice estava em 4,27%.
É um dos piores resultados entre os países da América Latina. No México, por exemplo, o déficit em transações correntes representa 2,9% de seu PIB. Na Argentina, esse índice é de 3,6%. A conta de transações correntes inclui comércio exterior, serviços (gastos com juros, viagens internacionais e remessas de lucros) e transferências unilaterais (dinheiro enviado ao país por brasileiros residentes no exterior).
O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, admite que o déficit é alto, mas ressalta que o importante é que a trajetória do índice é descendente.
Teoricamente, a maxidesvalorização do real, ocorrida em janeiro de 1999, poderia reduzir esse déficit. Um dos efeitos seria sentido na balança comercial, pois, com o real mais barato, ficaria mais fácil para as empresas brasileiras venderem seus produtos no exterior. Por outro lado, a alta do dólar deveria frear as importações.
Na prática, porém, isso não aconteceu. O governo chegou a projetar um superávit de US$ 4 bilhões para a balança neste ano, mas, até agora, o déficit acumulado em 2000 está em US$ 641 milhões.
Investimentos estrangeirosO volume de investimentos estrangeiros feitos no Brasil neste ano deve ficar próximo do montante recorde de recursos que o país recebeu no ano passado. Até hoje, o Brasil já havia recebido, em 2000, US$ 29,25 bilhões em investimentos diretos feitos por estrangeiros. Em todo o ano de 1999, eles totalizaram US$ 29,99 bilhões.
No mês passado, esse tipo de investimento trouxe ao país US$ 5,35 bilhões. Desse total, US$ 3,69 bilhões vieram da privatização do Banespa, comprado pelos espanhóis do Santander. Se descontados os recursos vindos de privatizações, os investimentos estrangeiros feitos de janeiro a novembro deste ano ficaram em US$ 23,80 bilhões, crescimento de 22% em relação ao mesmo período de 1999. Segundo Lopes, esse crescimento deve continuar no ano que vem, ajudando o Brasil a financiar seu déficit em transações correntes.
Quando um país tem déficit em transações correntes, quer dizer que o volume de dinheiro enviado para o exterior é maior que a quantia que ingressa. A diferença precisa ser coberta por meio de empréstimos ou por investimentos diretos.


