País adota norma de segurança alimentar
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quinta-feira, 03 de outubro de 2002
Agência Estado 
São Paulo - A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) concluiu uma das normas mais importantes já criadas no País para toda a cadeia que produz, manipula, fraciona, transporta e distribui ou entrega produtos alimentícios. Essa norma, de segurança alimentar, vai do campo à mesa dos brasileiros e entrou em vigor esta semana.
''A indústria de alimentos e a ABNT se uniram para produzir, em prazo recorde de seis meses, o sistema de gestão da Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC)'', disse o diretor-geral da ABNT, Valter Pieracciani. A rapidez para produzir a norma NBR 14900 decorreu da insistente cobrança dos consumidores, que, de acordo com o diretor da ABNT, cada vez mais mostram preocupação sobre questões ligadas à contaminação alimentar. Segundo Pieracciani, o princípio dessa norma técnica é auxiliar as organizações a tratar as etapas do processo e as condições de produção que são críticas para a segurança dos alimentos.
O sistema APPCC foi desenvolvido nos anos 60 pela Nasa (agência espacial norte-americana) para que a comida dos astronautas não corresse o risco de contaminação, provocando problemas inesperados na tripulação das naves espaciais. Empresas de alimentos em vários países adotam o sistema com o objetivo de melhorar o padrão de qualidade.
Para garantir a venda de produtos no mercado internacional, as empresas brasileiras do setor de agronegócio terão, agora, de adaptar-se ao sistema de gestão. ''Ao adotar essa norma, qualquer produtor ou indústria de alimentos receberá a certificação e poderá dizer ao mundo que tem o sistema APPCC'', afirmou Pieracciani.
A expectativa é de que até 2004 as grandes redes de supermercados exijam de seus fornecedores a implementação do sistema APPCC. ''As normas no Brasil são de caráter voluntário. Mas, desde que foi criado o Código de Defesa do Consumidor, em 1990, elas se tornaram praticamente obrigatórias, principalmente na arena judicial, onde o consumidor exige e cobra'', disse Pieracciani.
Para os especialistas que participaram da elaboração da NBR 14900,o primeiro passo é identificar, dentro da cadeia produtiva do alimento, onde pode ocorrer contaminação - por inseticidas nas plantações, hormônios ou antibióticos aplicados nos animais, falta de higiene na indústria ou riscos nos transporte, armazenagem e distribuição.


