Pais admitem ceder a pedido de compras dos filhos
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sábado, 26 de julho de 2014
Andréa Bertoldi<br> Reportagem Local 
Curitiba - Mais da metade dos pais admite ceder às chantagens dos filhos em relação a consumo. Um levantamento realizado pelo Portal Meu Bolso Feliz em parceria com o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) mostrou que 52% dos entrevistados disseram já ter comprado produtos para os filhos, mesmo sabendo que essa atitude iria comprometer o orçamento da própria família. Frases muito comuns dos filhos para convencer os pais são: "todo mundo tem e só eu que não vou ter", "se você me der isso, eu prometo fazer aquilo" e "meus amigos vão rir de mim se eu for o único que não tiver".
Os produtos mais comprados para os filhos, segundo a pesquisa, foram itens eletrônicos (jogos, celulares e notebooks), seguidos de roupas, programas de passeios, calçados e brinquedos.
O levantamento ainda apontou que, muitas vezes, os próprios pais não são bons exemplos para os filhos. Segundo a pesquisa, 76% já ficaram inadimplentes e 53% costumam comprar produtos que não precisam. Além disso, 74% não reservam uma parte dos ganhos mensais para poupança e 37% estão pagando atualmente cinco ou mais parcelas ao mesmo tempo, entre compras parceladas no cartão de crédito, crediário, cheque pré-datado e empréstimos.
O professor de Economia da PUC Londrina, Márcio Massaro, acredita que um aspecto muito importante para evitar as chantagens dos filhos é ensinar a adiar o consumo com o objetivo de criar o hábito de poupança. Os pais também devem deixar claro para a criança que ela não pode ter tudo, tanto em famílias mais abastadas como nas que possuem poucos recursos.
"É preciso mostrar que por trás do dinheiro de plástico (cartão de crédito), tem o dinheiro do pai que está no banco", explicou. "O limite passa pela consciência de um consumo mais correto, ou seja, não ter nada mais do que a gente precisa", alertou. É fundamental, segundo ele, mostrar que os recursos que os pais têm para consumir não são ilimitados.
Massaro disse que se os pais criarem a consciência do consumo, as chantagens ficam menos frequentes nas crianças e elas percebem que o prazer da compra de um produto é rápido e que logo já vão desejar outra coisa.
Estes cuidados na infância, segundo ele, ajudam o futuro adulto a ter um consumo condizente com a situação econômica dele. "Assim os pais educam para uma vida adulta com mais gosto e satisfação", afirmou.
Ele lembrou também que as crianças desta geração já nasceram com a concepção que as coisas duram pouco, como os celulares e computadores. E defende que é preciso mostrar que há coisas que não se compra, como a companhia dos pais, um passeio no Lago Igapó e que duram para sempre na memória das pessoas. "As crianças querem muito mais a companhia do que qualquer outra coisa", alertou.


