A fábrica da General Motors inaugurada quinta-feira passada em Gravataí (RS) é a décima a entrar em operação no País desde 1997. Até janeiro, mais duas empresas – Iveco e Peugeot/Citroen – iniciam produção no Brasil, que passará a abrigar 17 marcas, um recorde mundial. Em 2001, a veterana Ford também inaugura a filial da Bahia. Com o aumento da competitividade, as montadoras estão adotando técnicas de produção cada vez mais modernas e enxutas. Muitos dos processos adotados no Brasil serão exportados para outras fábricas em todo o mundo.
O sócio-diretor da consultoria Arthur Andersen, Rogério Aun, diz que o País está se beneficiando, porque tem recebido muitos investimentos de montadoras e cada novo projeto incorpora mudanças significativas no processo produtivo. ‘‘A indústria automobilística é considerada a mais avançada em termos de uso de novas tecnologias e evolução de produtos’’, afirma Aun. Foi o setor, por exemplo, que introduziu o conceito ‘‘just-in-time’’, que elimina custos com estocagem.
A fábrica da GM de Gravataí é o mais recente exemplo desse pioneirismo. ‘‘Todas as inovações tecnológicas desenvolvidas nos últimos anos foram incorporadas à fábrica, além de novas técnicas próprias’’, diz Luiz Moan, diretor de Assuntos Governamentais da GM, que acompanhou todo o processo de instalação da filial que produz o Celta.
‘‘Gravataí é muito mais moderna e inovadora do que as demais fábricas da GM no mundo, inclusive a da Tailândia, inaugurada em 1999’’, afirma Moan, que conhece a maioria das unidades do grupo. Ele cita como um dos diferenciais da fábrica brasileira o sistema de fechamento da carroceria, que evita qualquer defeito no processo. A unidade é capaz de produzir um veículo em 12,5 horas (contando desde o início do processo até o acabamento final). A média de uma linha de montagem tradicional é de 20 a 22 horas, segundo o diretor de Compras da GM, Marcos Munhoz. Os carros são transportados por um sistema aéreo que também economiza espaço.
Os 17 fornecedores instalados ao lado da fábrica, chamados de sistemistas, são responsáveis por 90% de todos os componentes usados na produção do Celta. Eles entregam conjuntos com todas as peças já integradas, prontos para serem acopladas ao carro. Um exemplo é a Delphi, que recebe componentes de 30 fabricantes e entrega o chassi direto na linha de montagem.
A VDO faz o chamado cockpit, composto de 80 componentes que formam o painel montado com sistema de ventilação, conjunto de pedais, sistema de direção e instrumentos de informação. A Sogefi é responsável pelo sistema de aspiração de ar, composto por filtro de ar, carcaça e venturis, tubos de entrada e saída do ar, entre outros.
Todo esse processo enxuto de produção, somado ao alto grau de automação da fábrica e à mão-de-obra mais barata possibilitará um produto com preço acessível. Mas, segundo executivos da GM, ‘‘não se pode esperar por milagres’’. O preço do carro não deverá ser muito inferior a R$ 13 mil.

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