PAINEL DO AGRONEGÓCIO
Risco do confinamento
Embora a pecuária de corte tenha voltado a registrar alguma rentabilidade nos últimos meses, a arbitragem (a diferença entre os preços à vista da arroba do boi e a cotação de outubro, pico da entressafra) está muito pequena, alerta o consultor Alexandre Mendonça de Barros, da MB Associados.
Maio X outubro
O preço da arroba para maio fechou ontem a R$ 79,66 na BM&FBovespa, com queda de 25 centavos, enquanto outubro encerrou o pregão a R$ 83,52 a arroba.
Reposição cara
''Os preços do boi magro e do bezerro estão muito altos. Isto tem dificultado este ''spread''. Com a experiência que o pecuarista teve no ano passado, ele fica com medo quando faz as contas'', diz ele.
Choro e lama
O agrônomo Mendonça de Barros lembra que, no ano passado, o confinador teve perdas consideráveis. Choveu muito, reduzindo o ganho de peso dos animais.
Fundamentos sólidos
O economista, porém, acredita que a demanda por proteína animal deve crescer nos próximos meses nos mercados interno e externo. Os principais concorrentes do Brasil, Argentina, EUA, Uruguai e Austrália estão num processo de encolhimento do rebanho.
Câmbio no palanque
Para o economista Nathan Blanche, da Tendências e Consultoria Integrada, as incertezas eleitorais este ano podem a aumentar a volatilidade do câmbio, produzindo uma depreciação. O dólar pode alcançar R$ 1,95 nos próximos meses, mas após a eleição a trajetória de apreciação se mantém com o dólar se estabilizando ao redor de R$ 1,82.
Mais café
Estimativa divulgada ontem pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aponta para uma produção de 47 milhões de sacas de 60 quilos de café beneficiado. Esse valor representa aumento de 19,2% ante as 39,5 milhões de sacas do ano passado.
Ciclo alto
O bom resultado é fruto da bienalidade positiva da cultura. Quando se compara a 2008, ano também de bienalidade positiva, o crescimento é de 2,85%.
Arábica e robusta
O café tipo arábica (75,1% da produção total) está projetado em 35,3 milhões de sacas, contra 28,9 milhões do ano passado. O crescimento é de 22,3%. Já o conilon ou robusta representa 24,9% da produção nacional, equivalendo a 11,7 milhões de sacas.
Área maior
A área do grão em produção aumentou 32 mil hectares (1,5%), saindo de 2,09 milhões de hectares para 2,12 milhões. Cerca de 91% do plantio está em produção.
Números divergentes
Na última terça-feira, em São Paulo, durante o seminário Perspectivas da Safra 2010/2011, Otávio Araripe, diretor da Exportador Valorização Empresa do Café, chamava a atenção para as grandes divergências na previsão da safra brasileira de café, que variam entre 52 milhões de sacas (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) e 44 milhões de sacas (IBGE).
Mais IBGE
''Com uma produtividade de 20,7 sacas por hectare, a produção deve ficar em 44,2 milhões de sacas. Se os níveis forem excelentes, a safra bateria em 50,2 milhões de sacas'', disse Araripe.
Preços caem
Em Nova York, os preços futuros do café arábica caíram 4,10 cents, encerrando o pregão a 133,320 cents por libra-peso no vencimento julho, perda de 3%. Em Londres, o café robusta, para entrega em julho, perdeu US$ 18, fechando a US$ 1.352 a tonelada. Na BM&FBovespa, o preço do arábica para setembro caiu 5,30 cents, fechando a US$ 157,55 a saca.
Fecha aspas
''Inflação dá febre; câmbio mata''
Mário Henrique Simonsen
Da Agência Mercados, com informações da BM&FBovespa
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