O que está em jogo na Dinamarca
Senti falta da senadora Kátia Abreu, a presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, no Fórum Abag ''Copenhague e o Agronegócio Brasileiro'', realizado ontem pela manhã em São Paulo. Se estivesse por lá, a senadora poderia aprender alguma coisa sobre os impactos do agronegócio nas mudanças climáticas e também sobre as oportunidades e ameaças para o Brasil de uma economia de baixo carbono. Assim, a senadora evitaria frases prontas (e tolas) como a que pronunciou na segunda-feira para a Folha de S.Paulo: ''as metas brasileiras de redução de emissão dos gases efeito estufa são populismo infantil''.

Quanto custa?
Para Kátia, não é razoável replantar áreas ocupadas hoje pela produção de alimentos. ''Não dá para falar na questão ambiental sem dizer quanto custa. O presidente Lula anunciou as metas de redução das emissões de gases, mas ninguém sabe quanto custa; é uma irresponsabilidade, é populismo infantil, é querer competir com o Barack Obama'', disse.

A coisa é séria
Há menos de uma semana do inicio das negociações da COP-15, talvez a mais importante conferência mundial deste século, a senadora ainda não entendeu que o que está em jogo em Copenhague não é simplesmente o lucro da próxima safra, mas a sobrevivência do Planeta.

Anistia
A CNA tenta aprovar a qualquer custo no Congresso projeto de lei que prevê anistia a quem desmatou até 2006, autorizando a recomposição de áreas sensíveis (margens de rios) com espécies exóticas, e desmatamento zero a partir de agora na Amazônia e na Mata Atlântica. É uma proposta que merece ser avaliada. Afinal de contas, o mais importante é evitar novos desmatamentos, e não adotar medidas revanchistas.

Populista infantil
Kátia Abreu quer contar com o apoio do presidente Lula, ''o populista infantil'', para aprovar o seu projeto. Vale destacar que o projeto fala de desmatamento zero na Amazônia e na Mata Atlântica, mas não dedica nem uma linha sequer aos Cerrados, onde restam poucas árvores para contar a história.

Liderança global
Marcos Jank, presidente da Unica, diz que o Brasil leva à Copenhague na próxima semana uma proposta bastante avançada. ''Temos uma oportunidade única de assumir a liderança da Conferência Mundial Sobre Mudanças Climáticas. Para a agricultura, as mudanças climáticas têm um lado ameaçador, mas também tem um lado solução, que é prática do conservacionismo e a doção de tecnologias como o plantio direto.

Baixo carbono
Ao contrário do que pensa a senadora Kátia Abreu, para Jank, o Brasil tem mais a ganhar do que a perder com a economia de baixo carbono.''Anos atrás, tudo isto era tema de ONGs e cientistas. Hoje também a iniciativa privada está participando desta discussão'', disse Jank. Nem todos.

Perguntar não ofende
Por que a CNA não faz parte da Aliança Brasileira para o Clima? A entidade reúne 14 das mais importantes associações do agronegócio brasileiro.

Consumo de café
A Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) está revendo para cima a sua estimativa de consumo interno de café este ano. Segundo Nathan Herszkowicz, presidente da Abic, a princípio a expectativa apontava para um crescimento de 3%, mas agora as projeções indicam para um aumento entre 6% e 8%, o que representa entre 18,3 milhões e 18,5 milhões de sacas.

Altas
Algodão (4,90%), café arábica (2,34%), bezerro (2,05%) e café conillon foram os únicos produtos pesquisados pela Esalq que subiram no mês de novembro.

E baixas
Enquanto isto, boi gordo (4,62%), milho (5,49%), soja (3,58%), açúcar (3,41%), álcool (5,53%) e etanol (5,76%) registraram perdas no mês, segundo os indicadores da Esalq.

Mais e menos
No ano, as maiores altas foram do açúcar (123,26%), do algodão (50%) e do etanol (60%). E as maiores baixas do boi gordo (15,95%), do bezerro (6%) e do milho (7%).

Fecha aspas
''O problema do Brasil é que ainda não se descobriu o problema do Brasil'' Delfim Netto

Bruno Blecher, da Agência Mercados,
com BM&FBovespa
[email protected]

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