Painel do agronegócio
Uma safra quase recorde
Se São Pedro ajudar, a agricultura brasileira deve colher uma safra farta em 2009/2010, segundo previsão anunciada ontem pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O primeiro levantamento indica uma produção entre 139,06 e 141,6 milhões de toneladas, acima portanto dos 135 milhões de toneladas colhidos na safra passada. Espera-se uma recuperação da produtividade nas áreas que foram prejudicadas pela seca este ano. A área plantada, segundo a Conab, deve ficar entre 47,35 milhões de hectares (-0,7%) e 48,06 milhões de hectares (+0,7%). ''Nossa expectativa é que não tenhamos tantos problemas climáticos, o que ajudaria o Brasil a se aproximar do recorde de 144,1 milhões de toneladas'', disse o presidente da Conab, Wagner Rossi.
Mal censo
Os dados do Censo Agropecuário 2006 recentemente divulgado pelo IBGE mostram que a despeito da grande contribuição do setor agropecuário brasileiro para a segurança alimentar e à balança comercial do país, a miséria ainda está presente no Brasil rural. Apenas 22% dos estabelecimentos recebem orientação técnica e 19% dos produtores possuem ensino fundamental.
Milagre verde
''A agricultura, ao contrário da indústria, não tem como controlar a produção para evitar grandes quedas de preços; também não tem ajuda na forma de isenção de tributos quando a demanda está fraca. Desde a década de 1970, os preços agropecuários estão em queda no mundo, acumulando uma redução de 75%. É impressionante que a agricultura brasileira não só tenha sobrevivido a essa situação, como tenha crescido bastante'', comenta o professor Geraldo Barros, coordenador do Cepea e titular da Esalq-Usp.
Do campo para a cidade
Produzimos mais a custos menores. Isso ocorreu porque a agricultura aumentou a produtividade e a eficiência, porém não seus lucros em razão da queda de preços. ''Se os preços não tivessem caído, a renda da agricultura teria crescido cerca de R$ 400 bilhões nos 13 anos passados. Essa renda que a agricultura deixou de receber foi uma transferência sua para a sociedade'', lembra Barros.
Quinta geração
O Centro de Tecnologia Canavieira iniciou ontem o lançamento e a liberação para plantio de duas novas variedades (CTC19 e CTC20), que representam a quinta geração da cana-de-açucar. Os cultivares apresentam padrões superiores de teor de sacarose e produtividade, além de serem resistentes às principais doenças e adaptados à colheita mecanizada.
Soja e milho
Os futuros da soja voltaram a subir ontem na bolsa de Chicago, com ganho de 2 cents, para US$ 9,12 o bushel no vencimento novembro 09. O milho também fechou o pregão em alta, a US$ 3,5975 o bushel, com valorização de 1,50 cent no vencimento dezembro.
Café na alta
Os preços do café arábica em Nova York fecharam a 134,25 cents por libra-peso no vencimento dezembro, o mais negociado. Em Londres, o robusta teve forte alta de US$ 18/saca, encerrando o pregão na Liffe a US$ 1.437 a tonelada para entrega em novembro.
Açúcar cai
Os preços futuros do açúcar demerara recuaram 0,88 cent, encerrando o dia em Nova York a 23,12 cents por libra-peso para entrega em março. O açúcar refinado, em Londres, despencou ontem US$ 19,90, cotado a US$ 606,10 a tonelada para março.
Moratória da carne
A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) não gostou da moratória da carne, como está sendo chamado o compromisso assinado por empresas frigoríficas e o Greenpeace para suspender as compras de fazendas de gado que não respeitam o bioma amazônico.
Barrado no baile
''Esta decisão bilateral não ajuda o produtor, o consumidor e muito menos a economia de Mato Grosso'', reclama Rui Prado, presidente da Famato, que disse não ter sido chamado para a reunião.
Fecha Aspas
''No fim tudo dá certo, se não deu certo ainda é porque não chegou ao final'' Fernando Sabino
Bruno Blecher, da Agência Mercados, com informações da BM&FBovespa
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