Os impactos da Ambev do frango no mercado

Enquanto o Cade avalia o processo de aquisição da Sadia pela Perdigão, o mercado faz as contas dos impactos dessa união para o setor de milho e soja. Anderson Galvão, da Céleres Consultoria, admite que a Brasil Foods será um importante player nos mercados de milho e soja, mas não tão grande para ditar os preços. As duas juntas produziram em 2008 cerca de 1,6 bilhão de aves e perto de 7,8 milhões de suínos, que correspondem a mais de 30% dos abates. A BRF deve comprar por safra cerca de 8 milhões de toneladas de milho e 2,5 milhões de toneladas de farelo de soja.


Alerta na granja

Para o professor Décio Zylberstjan, da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo, o produtor integrado é que corre mais risco com a fusão. ''Eles não têm voz e trabalham no limite da rentabilidade, sem poder contratar um só funcionário'', diz. Zylberstjan, que coordena o Centro de Conhecimento em Agronegócios (Pensa) da USP, diz que a nova geração não dorme mais ao lado do galpão. ''Eles querem ir para a cidade e mudar de vida''.


Tendência do mercado

A concentração é uma tendência natural deste mercado, explica Zylberstjan. ''Aconteceu a mesma coisa nos EUA e na Europa. Sadia e Perdigão, embora sejam grandes companhias no mercado interno, ainda são pequenas no mercado internacional. Elas são vendedoras de commoditeis, não de produtos com marca.''


Maiores altas

Soja e açúcar foram as commodities mais valorizadas no primeiro semestre de 2009. Segundo os indicadores da Esalq-USP, o preço da soja no mercado brasileiro subiu 26,54% de 1º de janeiro até ontem, alta superior a do Ibovespa (+37,06) e bem superior a variação do dólar (-15,85). O açúcar também registrou forte alta este ano. Até ontem, a saca subiu 48,13%. Só em junho, embora tenha fechado o mês de junho com queda de 7%, segundo os números da Esalq-USP


Boi em baixa

Já o boi e o bezerro fecharam o primeiro semestre do ano em baixa. Cotado na terça-feira a R$ 652,51 a cabeça pela Esalq, o bezerro acumula ganho de apenas 1,32% no ano, enquanto a arroba do boi, que vale cerca de R$ 82, perdeu 4,31% no primeiro semestre deste ano.


Exportação de milho

Pelos cálculos da Céleres Consultoria, o Brasil deve exportar este ano entre 6 milhões e 9 milhões de toneladas de milho. Dados da Esalq mostram que o preço do milho subiu apenas 1,74% do início do ano para cá.


Arroto do boi

Parece piada, mas não é. Pesquisa realizada em 15 fazendas de Vermont nos EUA demonstrou que as vacas alimentadas com alfafa e sementes com linhaça produzem quase 20% menos metano do que as que comem milho e soja. O programa é patrocinado pelo fabricante de iogurte Stonyfield Farm nas fazendas que fornecem leite orgânico. A matéria foi publicada esta semana no New York Times.


Aquecimento global

O estômago do boi tem bactérias digestivas que o fazem arrotar metano (CH4), um dos gases que mais contribuem para o chamado efeito estufa, responsável pelo aquecimento do planeta. Segundos os cientistas, o metano tem capacidade 20 vezes maior de reter o calor do que o dióxido de carbono. É por isto que a ONU considera os bovinos uma ameaça maior para o clima do Planeta do que os automóveis e caminhões.


Boi a pasto

Faça as contas. Entre arrotos e flatos, um boi emite por ano entre 90 e 180 quilos de metano. Se usarmos 100 quilos/ano em média e multipicarmos pelo tamanho do rebanho brasileiro (206 milhões de cabeças) só o Brasil emite 20,6 bilhões de quilos de metano/ano. A boa notícia é que os resultados da pesquisa apontam para as vantagens ambientais do chamado boi criado a pasto, como o do Pantanal e do Pampa gaúcho. O capim, segundo os cientistas, tem mais ácidos graxos ômega 3, facilitando a digestão dos bichos.


BRUNO BLECHER, da Agência Mercados, com informações da BM&FBOVESPA.

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