Pai do cartão não recebe royalties
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domingo, 01 de fevereiro de 2004
Renato Cruz<br> Agência Estado 
São Paulo - Seu invento é usado em cada um dos 1,326 milhão de orelhões instalados no País, mas o engenheiro Nelson Guilherme Bardini não recebe um centavo por isso. Mesmo com 150 patentes registradas, a maioria delas relacionada ao cartão telefônico indutivo, criado em 1976 pelo inventor e adotado pelo Sistema Telebrás em 1992, quando as operadoras telefônicas ainda eram estatais.
''O inventor brasileiro está bastante abandonado'', afirma Bardini, que hoje tem uma pequena fábrica de cartões indutivos usados por empresas de transportes, chamada Move Card, em Campinas. Sua receita vem da venda dos cartões que produz, e não da propriedade intelectual.
O País não tem dado o reconhecimento devido aos seus inventores. Um caso muito parecido com o de Bardini é o de Nélio José Nicolai, que inventou o identificador de chamadas (também conhecido como Bina), registrou patentes e nunca recebeu um tostão. Nicolai briga na Justiça com as operadoras para ver seus direitos reconhecidos.
Bardini não move nenhum processo, afirmando que não tem dinheiro. Apesar disso, um ex-sócio, chamado Mário Gualberto Pinto Ferraz, processou a Telebrás. Segundo o inventor, Ferraz ficou com um lote de 30 patentes, ao comprar a empresa de qual eram sócios, chamada Signalcard. Bardini acusa a Fundação CPqD, que pertencia ao Sistema Telebrás e hoje é um instituto privado de pesquisa, de receber royalties pelo seu invento. O CPqD preferiu não comentar o assunto que, segundo sua assessoria, diz respeito à Telebrás, estatal que está para ser extinta. Só não o foi ainda porque cede funcionários à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
O inventor foi funcionário do CPqD. Quando entrou no centro de pesquisas, porém, já havia registrado sua patente do cartão indutivo. Em 1992, ele cedeu o direito de uso à Telebrás, sem remuneração, de uma das patentes, que expirou no ano seguinte. Daí em diante, luta para receber seus direitos.
Segundo Bardini, as operadoras o reconhecem como o inventor do cartão indutivo. Tanto que a Telemar lançou um cartão comemorativo com uma foto sua, que o inventor mostra com orgulho. A tecnologia do cartão indutivo é genuinamente brasileira e já foi exportada para países como a Colômbia e a Bolívia. O inventor, porém, continua sem receber nada.


