Pagando hoje os erros do passado
Mauro FrassonParticipação ativaArdisson Ackel, presidente da Faciap, diz que os empresários não querem ficar olhando o próprio umbigo: Queremos ser autores do desenvolvimento e participar das decisões do governo centralAo fazer o primeiro comentário no debate de ontem no evento Cenário 2010, o secretário do Planejamento, Miguel Salomão, defendeu a participação do Paraná na discussão da reforma monetária e discordou do ex-ministro Delfim Netto, quando este creditou o aumento do déficit público ao processo de reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso. A taxa de juros é um instrumento de aumento do déficit púbico, lembrou.
O presidente da Federação das Associações Comerciais do Paraná (Faciap), Ardisson Akel disse que os pequenos empresários estão otimistas com o País, mas vêm sendo penalizados, principalmente com a enorme carga tributária e juros altos. Os empresários não querem mais ficar olhando para o próprio umbigo. Querem ser autores do desenvolvimento e participar das decisões do governo central, observou.
Luc-Alexandre Mánard, presidente da Renault do Brasil e do grupo para o Mercosul, fez cinco observações depois de ouvir as palestras do presidente da Gazeta Mercantil, Luis Fernando Levy, e do ex-ministro e deputado federal Antonio Delfim Netto. Na primeira, disse que a imagem do Brasil precisa ser mudada lá fora e chamou a responsabilidade para os próprios brasileiros. O País é grande e industrialmente forte. Disse ainda que o Brasil não pode ficar parado como está no momento.
Mánard criticou a política que inibe o crédito, lembrando que sua empresa possui 200 mil carros em estoque e não há comprador, devido à política de juros altos. No final, pediu a todos para lutar contra a economia especulativa, que deverá crescer muito no País.
O presidente do sistema Fiep, empresário José Carlos Gomes Carvalho lembrou - e muito bem, segundo Delfim Netto - da confusão que se instalou com a questão estrutural e conjuntural. Carvalho fez uma breve retrospectiva dos momentos de dificuldades e crescimento do Brasil nos anos em que Delfim Netto fazia parte do governo e dos dias atuais, onde ainda existem irmãos brasileiros sem água e sem energia elétrica.
Para Carvalho, a sociedade está pagando hoje os erros cometidos no passado, quando o Brasil deu as costas para o mundo e depois escancarou a economia, contribuindo para a presença do capital volátil. O que nos interessa é o capital de risco para gerar empregos e tributos e uma sociedade mais justa, finalizou.
Ao responder a uma série de perguntas dos participantes do encontro, Delfim Netto disse que não haverá qualquer maxidesvalorização do real. Isso é coisa do passado, afirmou. O ex-ministro elogiou a intervenção do secretário do Planejamento, Miguel Salomão, quando disse que não se deve ter medo de apoiar a guerra fiscal que se instalou no País.
A taxa de juros é a grande sinalizadora dos investimentos. Portanto, elas devem cair a 20% em 1999, o que ainda considero alta, em comparação à taxa americana, que está entre 7% e 8%, disse o presidente do Corecon-Paraná, economista Luiz Eduardo da Veiga Sebastiani.
Para o também economista Luiz Antonio Fayet, o lamentável é o governo e os políticos não estarem percebendo os problemas que virão com a questão social, principalmente o aumento do desemprego. Isso coloca em risco a própria governabilidade, alertou.
O empresário Alberto Veiga, diretor-superintendente da Irmãos Thá, colocou como principal problema hoje do Brasil a taxa de juros, que está insustentável. O médio e o grande empresário passam a desacreditar e se retraem nos investimentos, enquanto o pequeno apenas fica em silêncio, disse. Ele acredita, no entanto, que esse quadro irá mudar e haverá uma retomada dos investimentos. (P.R.)





