Curitiba Clientes de restaurantes, bares e lanchonetes de Curitiba foram pêgos de surpresa, ontem, pela decisão dos estabelecimentos de não aceitarem tíquetes-refeição. O protesto foi nacional. Estabelecimentos das principais cidades do País prometiam não receber pagamentos por meio de tíquetes, no dia de ontem, como forma de denunciar as altas taxas de administração cobradas pelas três maioras operadoras de tíquetes-refeição do Brasil.
O protesto, organizado pela Abrasel, Federação Nacional de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares e Confederação dos Trabalhadores em Turismo e Hospitalidade, visa principalmente as três maiores operadoras do País, responsáveis por 70% do mercado. A Abrasel afirma que as três empresas se uniram em torno de uma associação fechada e impõem aos restaurantes o pagamento de taxas que chegam a até 8% do valor recebido.
Mesmo desavisada sobre o protesto, a maioria da população acabou se mostrando solidária ao movimento. ''Eu não sabia que hoje (ontem) eles não aceitariam os tíquetes, mas achei um absurdo os valores que os restaurantes pagam para essas empresas. Eu achava que seria no máximo uns 5%'', disse a funcionária pública Marcia Regina Danylko Robles, enquanto almoçava em um restaurante de Curitiba.
A analista de entregas Ticiana Ribeiro também não sabia sobre o protesto. 'Eu acho que a reivindicação deles é justa, o problema é que acaba prejudicando quem não tem nada a ver com o problema'', disse. Segundo o presidente da Abrasel, Paulo Solmucci, caso o valor dessas taxas fosse menor, seria possível reduzir em até 5% o valor cobrado para o consumidor pelas refeições.
''O que é que eu posso fazer? Ou aceito ou não aceito'', diz Osni Xavier Kuss, proprietário de restaurante em Curitiba. Ele ressalta que entre 30 a 40% de seus clientes pagam as refeições com tíquetes e caso ele não aceite a taxa imposta pelas operadoras perderá grande parte dessa clientela.
De acordo com o presidente da seção Paraná da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), José Henrique Carlan, o problema é que os pequenos restaurantes não têm poder de barganha com as operadoras, que também não aceitam negociar as condições dos convênios com a Abrasel. Assim, só as grandes redes têm condições de fechar convênios com taxas menores, em torno de 3%.
Após avaliar a adesão do movimento de ontem, a Abrasel vai definir os próximos passos do movimento. Uma alternativa é cobrar do Governo Federal uma normatização do benefício, uma vez que trata-se de um incentivo do governo através do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Os empresários também estudam a possibilidade de ingressar com ação judicial por abuso de poder econômico.

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