Brasília - O diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), Aldo Mendes, afirmou ontem que o serviço de pagamentos móveis deve começar com um modelo de transações de baixo valor. "Não sei se temos tecnologia avançada suficientemente para dizer que é 100% seguro. No começo, tem de trabalhar com valores mais baixos. Não se pode pensar em transferir grandes valores com uma tecnologia nova e que se pretende ser inclusiva", afirmou.
Mendes disse que as transações móveis não devem substituir a tecnologia de uso de cartão de crédito físico. "São coisas que vão conviver, não há substituição." Ele disse ainda que a medida provisória (MP) que tratará do assunto abrangerá meios de pagamento de uma forma mais ampla, incluindo instituições que usam a internet para oferecê-los, mas que não são bancos.
Ainda segundo Mendes, o foco principal para o crescimento dos meios de pagamentos móveis é a tecnologia para aparelhos celulares mais simples e baseada na vinculação à conta-corrente e não ao cartão de crédito. "Não é através da indústria de cartão de crédito, que tem custos maiores, que vamos incluir as pessoas", afirmou.
"O principal foco são produtos para inclusão financeira, para população de baixa renda e comerciantes do varejo que não são atendidos hoje pelo sistema bancário." De acordo com Mendes, a tecnologia baseada em smartphones e cartão de crédito servirá mais como um complemento. "É uma diferenciação de produtos. Mas a agregação de pessoas não incluídas é que seria o grande salto provocado pelos pagamentos móveis. Tem de ter o 'basicão'." Ele afirmou que a expansão de rede física dos bancos está próxima do esgotamento ou crescerá a velocidades mais baixas. Por isso, avalia que a telefonia móvel será importante para ajudar a incluir população, principalmente em áreas com menos população.
Mendes acrescentou que ainda não há data para a MP dos Pagamentos ser enviada ao Congresso.

mockup