Pagamentos externos chegarão a US$ 15 bilhões em quatro meses
Nos últimos quatro meses do ano, os vencimentos da dívida externa brasileira de médio e longo prazos chegam a US$ 15,688 bilhões. A maior parcela do débito, o correspondente a US$ 12,437 bilhões, é de responsabilidade do setor privado. O mês mais pesado será outubro, quando os vencimentos atingem US$ 4,799 bilhões e as empresas brasileiras que tomaram empréstimos lá fora têm obrigações no valor de US$ 3,215 bilhões.
Os números, que foram divulgados pelo Banco Central, preocupam analistas de mercado, que prevêem maior pressão sobre o câmbio. Principalmente em outubro. ''Com certeza, estes pagamentos vão pesar para as empresas e pressionar a cotação do câmbio'', aposta um analista de um dos 25 dealers (bancos que operam em nome do BC) no mercado de câmbio.
Ele destacou que, não só outubro, mas 'todo o último trimestre do ano será complicado'', tanto pela concentração de vencimentos, com o total de US$ 11,567 bilhões, quanto ''pelas incertezas dos próximos meses em relação ao cenário internacional, principalmente a Argentina''.
Para o chefe do Departamento Econômico (Depec) do BC, Altamir Lopes, apesar da maior parte da dívida ser do setor privado, o governo não teme pressões sobre o câmbio. Ele lembrou que o mercado primário de câmbio tem sido superavitário nos últimos meses, o que significa que os bancos brasileiros estão com dólares de sobra para suprir a demanda das empresas. Em julho, de acordo com os dados do BC, o saldo positivo deste mercado foi de US$ 2,3 bilhões.
Do total da dívida que vence até dezembro, US$ 9,033 bilhões são de principal e a diferença, de US$ 6,655 bilhões, refere-se a juros. Enquanto a parcela de juros tem obrigatoriamente que ser paga, o que se refere a amortizações, ou principal, tem chance de ser rolado. Mas esta possibilidade é outro motivo de preocupação para os analistas privados. Na avaliação do economista do banco dealer do BC, a pressão sobre o câmbio pode tornar a rolagem muito cara para as empresas brasileiras. ''Pode ser complicado rolar dívida até o final do ano'', afirmou.
Para o governo federal, outubro e novembro serão os meses de vencimentos mais altos, com valores que correspondem, respectivamente, a US$ 1,584 bilhão e US$ 1,643 bilhão. Em outubro deverá ser pago o total de US$ 1,190 bilhão em juros de ''bradies'', os papéis da dívida externa que foi renegociada em 1986. No mês seguinte, a maior parte dos vencimentos é de principal, um total de US$ 1,275 bilhão da dívida externa nova que tem sido contraída em papéis globais ou referenciada em euro. (AE)





