Curitiba - No Paraná, apenas 18% da população tem algum tipo de plano de saúde. O levantamento é da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). O Estado tem hoje uma população de 10,511 milhões de habitantes e apenas 1,875 milhão possuem algum tipo de serviço privado de saúde. Isso significa que a grande maioria das pessoas depende do atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS) que, muitas vezes, é demorado e insuficiente.
De olho nesta fatia de mercado, os laboratórios de análises clínicas começaram a oferecer para este público o parcelamento de exames. O financiamento dos exames pode chegar a até 12 meses. Há também laboratórios que cobram o mesmo preço à vista em cinco vezes no cartão de crédito.
''Existe uma população que não tem assistência de planos de saúde. A nossa preocupação é focada em como viabilizar esse acesso'', disse Milton Zymberg, diretor do Grupo Diagnósticos da América (Dasa) - que controla uma rede de laboratórios.
Segundo Zymberg, o parcelamento é procurado pelas pessoas para vários tipos de exames. Segundo levantamento realizado pela FOLHA, em Curitiba, os exames mais caros são o teste de paternidade por exumação (varia de R$ 6.500 a R$ 8 mil), confirmação de HIV (R$ 600) e os hormonais como o teste do crescimento (de estímulo HGH após insulina por R$ 310,20). Os mais baratos são hemograma (R$ 32,90), glicose (R$ 22,80), colesterol (R$ 22,80) e triglicerídeos (R$ 26,60).
A técnica de enfermagem, Kelly Terezinha Lemes, utilizou o sistema de parcelamento para pagar os exames da mãe Ercília Braun Lemes, 61 anos. Foram 13 exames, entre eles, glicemia, colesterol, hemograma e triglicerídeos, que custaram R$ 266. Ercília não tem plano de saúde e parcelou em cinco meses com taxa mensal de juros de 6,50%. Cada parcela ficou em R$ 68,72. Com isso, o valor total dos exames ficou em R$ 343,60, ou seja, R$ 77,60 a mais em relação ao preço à vista. ''Eu não teria como pagar em uma única parcela'', disse Kelly. ''A minha mãe já usou bastante o SUS mas tem horas que é preciso ficar na fila de dois a três meses para fazer um exame'', relatou.

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