Pagamento mínino de cartão de crédito subirá para 20%
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quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Aline Vilalva <br>Reportagem Local 
Facilidade, segurança e ampliação das possibilidades de compras são fatores que têm motivado os brasileiros a realizar seus pagamentos com cartão de crédito. Acompanhando o crescimento do poder aquisitivo e maior oferta de crédito, ao longo dos anos, essa forma de pagamento vem crescendo no País. Preocupado com o aumento do endividamento das pessoas e a expansão dos prazos em algumas linhas de crédito, o Banco Central determinou que a partir de dezembro, o pagamento mínimo da fatura de cartão deve ser de 20%.
De acordo com o chefe de departamento de Normas do Sistema Financeiro do BC, Sergio Odilon dos Anjos, a mudança faz parte do cronograma das medidas macroprudenciais do BC adotadas em dezembro do ano passado. Por determinação do Conselho Monetário Nacional, desde junho, o valor mínimo do cartão de crédito a ser pago mensalmente subiu de 10% para 15%.
''O que chama a atenção é que o Banco Central teve de esperar seis meses para aumentar o percentual porque se dissesse, de pronto, que o valor a ser pago deveria ser de 20%, milhares de pessoas quebrariam no cartão de crédito'', observa Ana Paula Mussi Cherobim, coordenadora do laboratório de Finanças Pessoais da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Segundo ela, por um lado, as medidas tentam limitar o risco de endividamento excessivo para a economia como um todo, de forma que o sistema econômico não seja prejudicado. Por outro, visam reduzir o endividamento exagerado das famílias. ''As pessoas não têm educação financeira para usar o cartão de crédito, acham que é dinheiro e acabam sendo objeto de consumo'', relata.
Em agosto, por exemplo, a UFPR realizou uma pesquisa com 400 candidatos ao vestibular da universidade, durante a Feira das Profissões, e os resultados mostraram que a maioria dos jovens entrevistados desconhece a lógica do cartão de crédito. ''De maneira geral, é impressionante a quantidade de pessoas que não entendem como funciona essa alternativa de pagamento'', completa.
A coordenadora acrescenta que muitas pessoas consideram o limite do cartão de crédito como um complemento do salário, ''o que é um erro'' e orienta que o ideal é usá-lo durante o mês e pagar a fatura integral no vencimento. ''É a maneira mais inteligente de usar o cartão de crédito, visto que ele e o cheque especial têm os juros mais caros da economia'', reitera.
Para Ana Paula, a nova regra é positiva do ponto de vista das finanças pessoais porque vai obrigar o cliente a diminuir seu endividamento. Já no aspecto macroeconômico, vai haver redução nas possibilidades de endividamento. Conforme a coordenadora, há uma série de fatores que levaram o BC a criar esta medida e entre eles, a crise financeira. ''O Brasil está crescendo, mas a previsão é que cresça menos que 2010, resultando em menos emprego, menos renda, menos consumo e empresas vendendo menos.'' (Com Agência Estado)


