Pagamento de juros causa piora nas contas externas
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terça-feira, 16 de maio de 2000
Agência Estado De Brasília 
O pagamento de US$ 2,414 bilhões em juros ao exterior provocou uma piora nas contas externas brasileiras no mês passado. Nas transações correntes, que refletem as operações de comércio e serviços que o Brasil realiza com outros países, houve um déficit de US$ 3,078 bilhões. Este resultado superou o déficit ocorrido em março último, que foi de US$ 1,880 bilhão, e também aquele registrado em abril do ano passado, quando ficou em US$ 2,481 bilhões.
No acumulado do ano, as transações correntes estão negativas em US$ 7,150 bilhões ou 3,41% do Produto Interno Bruto (PIB) do período. Este déficit ficou US$ 551 milhões abaixo dos US$ 7,701 bilhões registrados no primeiro quadrimestre do ano passado. Nos doze meses acumulados até abril, o déficit em transações correntes ficou em US$ 23,823 bilhões ou 4,06% do PIB do período. Ao mesmo tempo, os investimentos diretos chegaram a US$ 28,872 bilhões. A expectativa do governo é fechar o ano com um resultado negativo entre US$ 23 e US$ 25 bilhões nas transações correntes.
Na avaliação do chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Altamir Lopes, a piora do déficit em abril não é preocupante. Isso porque o ingresso de investimento diretos, nos primeiros quatro meses do ano, chegou a US$ 8,062 bilhões. Volume que ele disse ser mais que suficiente para o financiamento do resultado negativo. Temos sobra, afirmou Lopes.
Embora houvesse uma expectativa de melhora significativa no resultado das transações correntes mais de um ano depois da desvalorização cambial, o chefe do Depec destacou que, até agora, não houve recuperação dos preços das commodities exportadas pelo Brasil, o que poderia ter garantido um melhor desempenho da balança comercial. A recuperação dos preços ainda está lenta, disse.
Ele destacou ainda que, o pagamento de juros, no mês passado, foi pressionado por US$ 196 milhões quitados antecipadamente ao Fundo Monetário Internacional (FMI), ao Banco para Compensações Internacionais (BIS) e ao Banco do Japão (BOJ). Em abril, o governo decidiu quitar o empréstimo de socorro concedido por estes organismos no final de 1998 e que chegou a US$ 41,5 bilhões. A quitação do empréstimo também pressionou o resultado do balanço de pagamento (além das transações correntes considera os investimentos recebidos pelo país) que passou de superavitário em US$ 891 milhões, em março, para deficitário em US$ 10,194 bilhões.
Sobre o impacto do aumento de juros no mercado internacional, principalmente depois da decisão do Federal Reserve (o banco central dos Estados Unidos) de elevar em 0,50 pontos porcentuais as taxas de juros, Lopes disse não ser motivo de preocupação para o Brasil. E explicou que a elevação de agora tem impacto na dívida brasileira somente em seis meses. Pois, segundo ele, a maior parte da dívida é rolada semestralmente. Até março, a dívida externa total do País estava em US$ 242,511 milhões.


